Uma visita ao Pavilhão 9 da Casa de Detenção, no Carandiru, é o recurso que a defesa do coronel Ubiratan Guimarães quer usar para mostrar aos jurados como os policiais militares acusados do assassinato de 111 presos se sentiram ao entrar no presídio no dia das mortes. O pedido para que o julgamento seja convertido em diligência foi apresentado pelo advogado Vicente Cascione à juíza Maria Cristina Cotrofe, que ainda não tomou uma decisão sobre o assunto. O julgamento do coronel começou anteontem e deve durar 20 dias.
‘‘Quero que eles avaliem o temor que os PMs sentiram. Pena que eu não possa levá-los de volta ao presídio naquele 2 de outubro’’, afirmou o advogado. Naquele dia, a Tropa de Choque invadiu o pavilhão para controlar um motim. O coronel chefiou a operação e agora está sendo acusado pelas 111 mortes e 5 tentativas de homicídio.
Para Cascione, quanto mais subsídios os jurados tiverem, melhor. Ele já apresentara pedido idêntico no primeiro julgamento do coronel, interrompido no ano passado porque um jurado passou mal. O promotor Norberto Jóia disse que é indiferente à questão da ida à Detenção.
O julgamento do coronel foi reiniciado no Fórum Criminal Ministro Mário Guimarães às 9h50, com a leitura de depoimentos do processo. Primeiro, foram lidos os que os PMs prestaram no inquérito policial-militar que apurou o massacre. Na época, o capitão Wanderley Mascarenhas admitiu ter feito disparos no pavilhão.
A leitura das peças da acusação deve prolongar-se por dois dias. Outros dois devem ser ocupados pela leitura de peças da defesa. Além de depoimentos, reportagens e livros sobre o massacre, a acusação pediu a leitura de 24 decisões judiciais que condenaram o Estado a pagar indenizações a parentes das vítimas. A defesa pedirá a leitura de depoimentos de policiais, de um parecer de um procurador de Justiça que pediu a absolvição do coronel e de laudos.

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