A quatro dias da data marcada para o início do julgamento dos acusados do caso Evandro, ninguém ainda tem certeza da realização dos três júris em que foi desmembrado o processo. Ontem, os advogados de defesa pediram o adiamento dos júris à juíza Marcelise Weber Lorite, de São José dos Pinhais. Se o pedido for indeferido, os advogados poderão recorrer ao Tribunal de Justiça. Eles alegam que precisam de tempo para analisar e periciar novas provas juntadas ao processo pela promotoria na semana passada.
‘‘Estamos com o plano de segurança pronto, mas sem qualquer informação oficial sobre se o júri sai ou não’’, disse ontem o tenente-coronel Donizete Carlos Ribeiro, comandante do 17º Batalhão Policial Militar, sediado em São José. A realização dos três júris (marcados para começar nos dias 10, 17 e 24 deste mês) envolverá um esquema grandioso, com dezenas de policiais, jurados e testemunhas.
A juíza do caso não atendeu a reportagem ontem. A expectativa da defesa é que Marcelise Lorite se manifeste até amanhã sobre o pedido de adiamento dos júris. ‘‘Se o pedido for indeferido, vamos estudar outras medidas e até mesmo depois de aberta a sessão do tribunal do júri poderemos pedir a suspensão’’, disse o advogado Antônio Augusto de Figueiredo Basto, que defende Osvaldo Marcineiro, Davi Soares e Vicente de Paula. Ele apresentou ontem um pedido de impugnação de vários documentos apresentados pela promotoria.
O advogado Osmann de Oliveira - que defende Celina e Beatriz Abagge - disse que precisaria de pelo menos 15 dias para analisar o material juntado ao processo pela promotoria. Segundo Oliveira, são cerca de 200 novas páginas, além de um vídeo e de fitas cassete.
Para o advogado, o Ministério Público quis ‘‘surpreender a defesa’’. ‘‘Com quem estava todo esse material até agora?’’, pergunta. Oliveira diz que a promotoria teria incluído no processo documentos com datas adulteradas e declarações de testemunhas tomadas diante apenas de promotores, sem representantes da defesa. ‘‘Tudo isso não pode ser analisado em três ou quatro dias’’, afirma.
O promotor de Justiça Celso Luiz Peixoto Ribas - designado para atuar como auxiliar no julgamento - nega que tenham sido acrescentadas 200 páginas ao processo. De acordo com ele, a única novidade é uma declaração de um pescador que afirma ter encontrado as mãos do menino Evandro - sacrificado, segundo a acusação, durante um ritual de magia negra em Guaratuba, em 1992. O restante, afirma, são cópias de material publicado pela imprensa.

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