O advogado André Luiz Gonçalves Salvador encaminhou na última quinta-feira (18) um pedido de revogação da prisão preventiva do ex-guarda municipal Fernando Neves, acusado de matar o estudante Matheus Evangelista, 18 anos, em março de 2018 durante uma abordagem da corporação que integrava no jardim Porto Seguro, zona norte de Londrina. O recurso está sob análise do juiz da 1ª Vara Criminal, Paulo César Roldão, que ainda não tomou nenhuma decisão.

Salvador sustenta na petição que o acusado "se encontra detido há dois anos, dois meses e seis dias, sendo submetido a evidente constrangimento ilegal porque está atrás das grades por tempo muito superior ao estabelecido na lei, o que caracteriza excesso de prazo para a formação da culpa".

Apesar do magistrado ter pautado o júri popular para o dia 25 de agosto depois de mais um cancelamento proveniente da determinação do Tribunal de Justiça em manter os fóruns no Paraná fechados pelo menos até 15 de julho, o advogado aborda que não há previsão para o julgamento.

"Ele (réu) não pode permanecer eternamente preso, razão pela qual mostra-se justa a revogação de sua prisão preventiva. Deve-se ainda ser levado em conta a situação carcerária de nossos estabelecimentos prisionais. O presídio da comarca de Londrina se encontra superlotado, sendo desnecessária neste momento processual a prisão do acusado, ainda mais diante da pandemia da Covid‐19", pontua André Salvador, que pediu a aplicação de medidas cautelares.

Fernando Neves será julgado por homicídio qualificado, fraude processual e falsidade ideológica.

Matheus Evangelista participava de uma festa com amigos no jardim Porto Seguro quando a Guarda Municipal foi chamada por vizinhos para atender uma ocorrência de perturbação de sossego. Ao ser abordado, ele foi atingido por um tiro, chegou a ser levado na própria viatura da GM para o Hospital da Zona Norte (HZN), mas, por causa do grave ferimento no peito, foi transferido para o HU, onde morreu.

Errata:

Diferentemente do que foi informado na edição desta segunda-feira (22), o ex-GM Michael de Souza Garcia não vai a júri popular. O processo dele será extinto.

(Atualizada às 19h desta segunda-feira, 22)

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