Defesa pede reconstituição do crime de homicídio contra diretor da UENP
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
Isabela Fleischmann <br> Reportagem Local </br> 

O advogado do professor Laurindo Panucci Filho, Diego Fiori, solicitou à Justiça a reconstituição do assassinato do diretor da Uenp (Universidade Estadual do Norte do Paraná), Sérgio Roberto Ferreira, morto após agressão em Cornélio Procópio (Norte) no dia 20 de dezembro.
O professor Laurindo Panucci, que confessou o crime, fugiu para o interior de São Paulo após o homicídio e foi preso no estado vizinho. Segundo a defesa, o professor não tinha intenção de matar e que tampouco o crime foi feito de modo cruel ou motivo fútil. O advogado argumenta que Panucci não tinha planejado o assassinato.
"O réu vem de família humilde, sendo o único da família que possui terceiro grau completo, pessoa honesta e dedicada que com muito sacrifício e luta conseguiu terminar o curso de graduação, mestrado e doutorado. Não é um delinquente contumaz, muito menos possui sua conduta voltada a criminalidade, não possui passagens pela policia, leva uma vida digna e ordeira", afirma a defesa.
Para a defesa, a perícia não esclareceu algumas questões do crime. "Entendemos que as provas até então produzidas são imparciais e não demonstram a realidade de como os fatos ocorreram". Segundo Fiori, a reconstituição do crime é necessária porque a perícia não deu visão ampla e clara à cena do crime e os móveis não foram preservados.
O Ministério Público denunciou o professor por homicídio triplamente qualificado: por meio cruel, motivo fútil e meio que dificultou a defesa da vítima. Já o documento do advogado alega que o professor agiu em legítima defesa após uma discussão com o diretor e que Ferreira não teve dificuldade de se defender, porque, em uma briga, a vítima tinha acesso à porta de saída e outros objetos para defesa. "Conforme consta de depoimentos de testemunhas a sala estava com seus móveis dispersos como se no local houvesse luta, o monitor estava no chão caído e no laudo aparece já em cima da mesa, não consta dos autos a posição que o corpo foi encontrado. O celular da vítima que possuía gravações de ligações foi restituído aos familiares da mesma, o que jamais poderia ocorrer, pois a defesa gostaria de saber qual conteúdo existia nesse telefone e quais gravações poderiam ser utilizadas como prova no processo."
O pedido ainda será analisado pela Justiça. Pelo processo, o professor ainda deve prestar depoimento. A defesa também pediu o arrolamento de cinco estudantes e três professores da Uenp como testemunhas.
Caso o juiz entenda que o professor teve a intenção de matar o diretor, ele poderá ser levado a júri popular. A Justiça do Paraná pediu que o professor, preso no interior de São Paulo, fosse transferido para o Paraná, mas ainda não foi acatado. O habeas corpus de Panucci será julgado nesta quinta-feira (14).
RELEMBRE
No dia 20 de dezembro de 2018, o diretor da Uenp, Sérgio Roberto Ferreira, foi morto em sua sala na universidade. O assassino confesso, professor doutor em ciências contábeis, Laurindo Panucci Filho, tinha recebido uma advertência que teria motivado o crime. A polícia teve acesso a uma ligação do professor pedindo um encontro com o diretor momentos antes do crime. "Aconteceu um negócio estranho e precisava de esclarecimento", alegou Panucci na ligação.
O professor agrediu Ferreira com uma machadinha. Ele chegou a ser socorrido mas não resistiu aos ferimentos. Segundo o Ministério Público, Panucci agiu com consciência e inequívoca vontade de matar, utilizando de meio cruel, desferindo diversos golpes com o machado na região do pescoço e crânio do diretor.


