Defesa pede que PMs acusados da morte de carroceiro em Londrina voltem a trabalhar
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quinta-feira, 07 de maio de 2020
Rafael Machado - Grupo Folha 
Está nas mãos do juiz da 1ª Vara Criminal de Londrina, Paulo César Roldão, a decisão de revogar o afastamento dos policiais militares Jefferson José de Oliveira, Thiago Morales, João Paulo Roesner e Júlio César da Silva, denunciados pelo Ministério Público por possível envolvimento na morte do carroceiro Pedro de Melo Domingos em 12 de agosto de 2016. O rapaz tinha 28 anos na época e foi morto no final da avenida Joubert de Carvalho, no trecho que segue para o distrito da Warta, zona norte de Londrina.

No final de abril, o advogado Cláudio Dalledone, que representa os PMs, protocolou uma petição na Justiça de Londrina afirmando que tanto o afastamento dos servidores da corporação quanto o recolhimento obrigatório de ficarem em casa à noite e nos dias de folga "são medidas desproporcionais e que causam mais problemas do que soluções para todos os envolvidos".
Segundo ele, o comparecimento mensal ao Fórum e a necessidade de autorização judicial para sair da cidade por mais de oito dias, regras que os policiais estão obedecendo há mais de quatro anos, "são suficientes pois eles não praticaram nenhum ato passível de ser tachado de atentatório ao correto desenvolvimento da instrução".
Dalledone observou que "manter os PMs afastados de suas funções por tempo indeterminado significa verdadeira punição antecipada antes mesmo de uma eventual sentença condenatória definitiva". Os agentes e mais um publicitário vão a júri popular, mas a sessão ainda não tem data para acontecer.
"Os fatos descritos na denúncia aconteceram em março de 2016, sendo que o afastamento foi decretado em maio do mesmo ano. Nesses quase quatro anos, os policiais não usaram de sua condição para cometer atos de conturbação da investigação ou aterrorizar testemunhas", apontou o advogado.
O Ministério Público já se manifestou sobre o pedido. O promotor Tiago de Oliveira Gerardi quer que os PMs continuem afastados de seus cargos. Os agentes foram presos duas vezes, mas a defesa conseguiu a revogação por meio de um habeas corpus no Tribunal de Justiça.
Na segunda vez em que foram detidos, o MP afirmou que uma testemunha do processo estaria sendo ameaçada pelos réus. Porém, ao decidir pela soltura dos servidores, o desembargador Macedo Pacheco, do TJ, descreveu "que não há nos autos notícias de que eles tenham ameaçado qualquer pessoa, seja no dia dos fatos ou mesmo em qualquer momento posterior ao depoimento dessa criança, vez que ela e sua mãe afirmaram que nunca foram procuradas por qualquer policial militar".


