Defesa impugna provas apresentadas pelo MP em Belém
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sábado, 22 de novembro de 2003
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A defesa de Valentina de Andrade impugnou ontem, no terceiro dia do júri popular que julga a participação dela na mutilação e morte de crianças, provas apresentadas pelo Ministério Público (MP) do Pará. Se o júri condenar a ré, a sentença poderá ser anulada por causa dessa impugnação, no entendimento da defesa.
Valentina é acusada pelo MP de liderar uma seita satânica que teria castrado e assassinado dois meninos e que teria provocado lesões corporais em outros três, em Altamira, no sudoeste do Pará. Os crimes teriam ocorrido entre 1989 e 1993. Outros quatro acusados já foram condenados por esses crimes. No Paraná, ela foi investigada por ter supostamente participado do desaparecimento de Leandro Bossi (1992) e Leonardo de Melo e Silva (2000). Valentina, gaúcha, morou 15 anos em Londrina.
O advogado curitibano Cláudio Dalledone Júnior, que defende Valentina, disse que as provas foram apresentadas em destaque, o que seria proibido. Durante a leitura das peças documentais, a acusação mostrou trechos de livros escritos por Valentina, com a intenção de incriminá-la pelas mortes. ''Alguns trechos foram destacados com caneta marca-texto, o que é vetado'', afirmou Dalledone Júnior. Os promotores de acusação também mostraram fitas de vídeos e fotos para os jurados.
Valentina participa de um grupo chamado de Lineamento Universal Superior (LUS). Segundo a acusação, a LUS é uma seita satânica. Dalledone diz que é uma entidade semelhante a uma organização não-governamental.
O julgamento ocorre no Tribunal do Júri de Belém e poderia terminar em 15 dias, pelas previsões iniciais. No entanto, o juiz que acompanha o caso, Ronaldo Valle, estimou ontem um prazo de pelo menos 30 dias. Na quinta e sexta-feira, foram lidas apenas as peças documentais de acusação (cerca de 30). A defesa pediu a leitura de 153 peças.


