Os advogados dos sete policiais civis que trabalhavam no setor de Furtos e Roubos da 10ª Subdivisão Policial (SDP) e são acusados de desviarem uma carga contrabandeada do Paraguai entregaram ao juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio, um novo pedido para que as prisões preventivas sejam derrubadas. Os agentes foram detidos em uma operação da Corregedoria da Polícia Civil do Paraná em fevereiro.

Os investigadores são réus por associação criminosa, cárcere privado, prevaricação e peculato. Os defensores tentaram a revogação em primeiro grau e na 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, mas os pedidos foram negados. Na terça-feira passada (26), deveria acontecer a primeira audiência de instrução do caso. Cerca de 100 testemunhas de acusação e defesa foram convocadas, mas os depoimentos não puderam ser coletados.

Imagem ilustrativa da imagem Defesa entra como novo pedido para soltar policiais que teriam desviado carga
| Foto: Arquivo FOLHA

De acordo com os advogados, a sessão foi suspensa porque a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos de Curitiba, onde os servidores estão há quase quatro meses, não teria disponibilizado "equipamentos para que os acusados fossem logados no sistema de videoconferência".

A defesa argumentou no requerimento que o juiz deveria rever as detenções por tempo indeterminado até o dia 21 de maio, exatos 90 dias depois que elas foram decretadas, como preconiza o artigo 316 do Código de Processo Penal. "Não há nenhuma decisão reavaliando a necessidade de manutenção da medida extrema, ponderando tratar-se de ato obrigatório", explicou.

Além disso, outro argumento é de que o presidente do TJ-PR, Adalberto Xisto Pereira, determinou que os advogados acompanhem seus clientes nas audiências virtuais. Por causa da Covid-19, os fóruns do Estado estão fechados para atendimento ao público, mas os servidores e magistrados continuam trabalhando de forma remota. A solicitação ainda não foi analisada por Nanuncio.

Suposto desvio

Encabeçada pelo delegado Marcelo Lemos de Oliveira, atual corregedor da Polícia Civil do Paraná, as investigações começaram em dezembro de 2019, quando o desvio teria acontecido. Os produtos foram apreendidos na Vila Nova, bairro da região central de Londrina. "Encontramos uma diferença na quantidade que foi localizada pelos investigadores da que realmente foi comunicada à Receita Federal", disse, na época, em entrevista coletiva.

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