A defesa de Luiz Fernando Ribas Carli Filho e o Ministério Público do Paraná (MP-PR) deram entrada nesta segunda-feira (5), na 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), com recursos contra a sentença imposta ao ex-deputado na semana passada. Carli Filho foi condenado a nove anos e quatro meses de prisão pela morte de Gilmar Rafael Yared,26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, 20, em um acidente de trânsito ocorrido em maio de 2009. O julgamento, no Tribunal do Júri, em Curitiba, foi nos dias 27 e 28 de fevereiro.
O MP-PR pedirá uma pena maior para Carli Filho. Segundo a assessoria do órgão, os promotores Marcelo Balzer Correia e Paulo Marcowicz de Lima entenderam que havia elementos para que uma pena maior fosse imposta ao ex-parlamentar, que confessou ter bebido antes de dirigir e trafegava em uma velocidade acima da permitida por lei no momento do acidente. Caso o desembargador Telmo Cherem, da 1ª Câmara Criminal, aceite o recurso, o MP-PR terá oito dias para apresentar suas razões.
O processo é o mesmo para a defesa de Carli Filho, que nesta segunda fez apenas a interposição do recurso. Os defensores podem pedir uma redução na pena ou até mesmo a anulação do Júri Popular. "O julgamento do Júri é absoluto, não pode haver absolvição, pois ele (Carli Filho) já foi condenado. O que a defesa pode pedir é a anulação do Júri, ainda que não vejamos elementos, ou uma redução da pena", afirmou Vicente Bomfim, da equipe de advogados da família Yared. O advogado Elias Mattar Assad, que representa Christiane Yared, mãe de Gilmar Yared, adiantou na semana passada que não vai recorrer da sentença.
Para pedir a anulação do Júri, os advogados terão de mostrar que houve erros que prejudicaram a defesa do réu durante o julgamento. Na semana passada, o advogado de Carli Filho, Roberto Brzezinski Neto, disse que "situações peculiares" ocorreram durante o Júri Popular. Ele chegou a protestar, durante o tempo destinado às exposições do MP-PR, contra a utilização de uma régua por parte do promotor Paulo Marcowicz de Lima. Marcowicz utilizou o instrumento para contestar partes do laudo apresentado pelo perito Ventura Raphael Martello Filho, contratado pela defesa para contrapor o laudo oficial feito pelo Instituto de Criminalística do Paraná, que indicava que o carro de Carli Filho, um Passat, chegou a sair do chão e atingiu o Honda Fit, onde estavam as duas vítimas, por trás.
"Há uma regra clara do Código de Processo Penal, qualquer instrumento, documento ou informação que diga respeito aos fatos e possa contribuir para a tese da acusação ou da defesa tem que ser juntado aos autos com três dias de antecedência", afirmou Brzezinski Neto. No entender do advogado, a pena imposta a Carli Filho foi muito alta, já que ele era réu primário e não possuía antecedentes criminais. Para o defensor, deveria ter sido aplicada a pena mínima para o caso de homicídio com dolo eventual, que é de seis anos.

EM JUÍZO
Também nesta segunda-feira, o juiz Daniel Ribeiro Surdir de Avelar comunicou a Comarca de Guarapuava, onde Carli Filho vive com a família, que o ex-deputado deverá ser intimado para se apresentar todos os meses à Justiça. "Advirta-se, ainda, o sentenciado, quanto à possibilidade de decretação de sua prisão preventiva em caso de descumprimento da medida", escreveu Avelar em seu despacho.

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