Curitiba- Na reta final do julgamento de três dos sete acusados de terem matado o menino Evandro Ramos Caetano, de seis anos, num suposto ritual de magia negra, no dia 7 de abril de 1992, em Guaratuba, no litoral paranaense, defesa e acusação passaram o dia de ontem tentando convencer os jurados. Até o fechamento desta edição o julgamento não havia terminado, mas a previsão era de que a sentença seria proferida à noite.
Desde segunda-feira, estão sendo julgados os pais-de-santo Osvaldo Marcineiro (único réu preso) e Vicente de Paula Ferreira e o ajudante de terreiro Davi dos Santos Soares. Eles são apontados como executores do crime a mando de Celina e Beatriz Abagge, mãe e filha do então prefeito Aldo Abagge. As duas chegaram a ser absolvidas em 1998, num julgamento que durou 34 dias, mas que foi anulado, acatando argumento do Ministério Público de que os jurados erraram ao dizer que não existiam provas de que o corpo encontrado no matagal mutilado era mesmo de Evandro.
Na acusação, os promotores Vera Lucia Giacomiti e Paulo Sérgio Marckovicz de Lima tentaram, primeiro, provar que o corpo encontrado dia 11 de abril de 1992 era mesmo de Evandro. Para isso, apresentaram laudos do Instituto Médico-Legal, de dentistas que reconheceram a arcada dentária, pertences encontrados perto do corpo, além do resultado de exame de DNA. Para contrapor o depoimento de Marcineiro, que afirmou que só ''jogava búzios'', usaram depoimentos de testemunhas que afirmaram ter presenciado rituais de sacrifício de animais feitos pelos réus.
Eles reapresentaram trechos de depoimentos de testemunhas que teriam visto os três vestidos para o ritual no dia da morte; de uma pessoa que afirmou ter sido convocada para dar falso testemunho, dizendo que estava com os réus no dia do crime; além de apontar fatos como o sumiço de provas e laudos. ''Se eles eram inocentes, por que fariam tudo isso?'', questionou a promotora.
''A acusação é muito frágil'', disparou o advogado Álvaro Borges Junior, que buscou mostrar aos jurados a inexistência de provas que apresentem alguma ligação direta entre a morte de Evandro e a conduta dos réus. ''Não há nada que prove que eles mataram'', disse. ''Quem tem que provar que eles são culpados é ela (promotoria), e não o contrário.''
A defesa voltou a questionar a identidade do corpo encontrado em Guaratuba, completamente desfigurado. Argumentou, ainda, sobre o fato das confissões dos réus terem sido assinadas após tortura.

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