Defesa do mínimo feita por ACM compõe exposição no Congresso
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domingo, 09 de abril de 2000
Por Eugênia Lopes 
Brasília, 10 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que hoje ataca o governo Fernando Henrique Cardoso em defesa do aumento do salário mínimo
já havia criticado, pelo mesmo motivo, o ex-presidente João Goulart. Há quase 39 anos, o então deputado Antonio Carlos Magalhães subiu à tribuna da Câmara para reivindicar um salário mínimo maior e criticar o recém-empossado João Goulart. "É imperioso que o novo governo faça imediatamente o reajuste do salário mínimo, pois não é possível mantermos a mesma remuneração dos trabalhadores com o nível de vida atual", disse ACM, no dia 28 de setembro de 1961.
Mais cauteloso do que hoje, ACM mostrava-se preocupado, na época, com os reflexos no aumento do custo de vida com o reajuste do mínimo. "Deveremos dar, com urgência, aumento de salários, mas, ao mesmo tempo, instituir medidas visando à contenção do custo de vida, do contrário, levaremos, em muito pouco tempo, a Nação ao caos", afirmou o então deputado. Este discurso é um dos 65 documentos que, a partir de amanhã (11), está em exposição no Salão Negro do Congresso para comemorar os 500 anos do descobrimento do Brasil.
O pronunciamento do ex-deputado faz parte do catálogo e do folder que promovem a exposição, mas, até a tarde, repousava nos arquivos do Serviço de Documentação Parlamentar da Câmara. "Esse discurso foi selecionado para a exposição, mas por uma falha nossa acabou não sendo exposto", justificou Suelena Pinto Bandeira, chefe do Centro de Documentação. "Mas, em nenhum momento fomos cerceados e ninguém pediu para nós tirarmos esse documento da exposição." Segundo Suelena, o discursos só não estava ainda à mostra por falta de espaço. Assim que foi alertado da falha, o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), determinou a imediata inclusão do documento na exposição "Câmara & Poderes 500 anos de Brasilidade".
O discurso de ACM em defesa do aumento do mínimo passou a dividir espaço com os originais da Lei áurea e da carta renúncia de Jânio Quadros, com o uniforme da seleção brasileira de 1962 usado pelo jogador Garrincha, o macacão e o capacete do piloto Ayrton Senna, o poncho e a espada usados pelo revolucionário Giuseppe Garibaldi. A exposição tem o formato de um mapa do Brasil, como muito verde e amarelo, e mostra 65 documentos históricos, que vão desde a época do Império aos tempos atuais.
Mapa - Ao redor do mapa do Brasil foram enfileirados 39 ícones e símbolos do povo brasileiro, como os trajes de uma mãe de santo, o manto de Nossa Senhora da Aparecida, as roupas de Padre Cícero e o único registro fotográfico existente do beato Antônio Conselheiro. "O espaço dentro do mapa representa o Congresso, onde são feitas as leis, e o de fora o povo", resumiu Joel Rufino dos Santos, um dos curadores da exposição. Idealizada em meados do ano passado, a exposição custou cerca de R$ 500 mil patrocinados pela Petrobrás.
Logo na entrada, existe um enorme painel com a fotografia do motorista Eriberto França, um dos responsáveis pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor. Em outro painel, dispostas lado a lado, há fotos dos atuais 81 senadores e 513 deputados. Atrás dos painéis, um mapa do Brasil. O visitante é convidado a entrar para conhecer os 65 documentos, a maioria originais, que marcam momentos importantes da história brasileira. Um deles é o projeto de lei, de 8 de abril de 1956, apresentado pelo então presidente Juscelino Kubitschek, que propõe a transferência da capital do Rio de Janeiro para Brasília.


