Os advogados do motoboy Francisco de Assis Pereira, 31 anos, vão entrar hoje com um pedido na Justiça para que o também motoboy Márcio Rogério Xavier, 27 anos, seja submetido a reconhecimento pelas mulheres que apontam Pereira como sendo o homem que as estuprou.
Conhecido como maníaco do parque, Pereira está preso desde agosto do ano passado sob acusação de ter matado nove mulheres e estuprado 16 na mata do parque do Estado (zona sudeste de São Paulo). Ele confessa os assassinatos, mas sempre negou a violência sexual, afirmando que todas as mulheres que levou à mata morreram.
Xavier, o outro motoboy, foi preso no último domingo sob acusação de ter praticado diversos estupros na região sudoeste de São Paulo. Até ontem, ele já havia sido reconhecido por 17 mulheres. Para os advogados de Pereira, Xavier pode ser o autor de parte dos crimes pelos quais o maníaco está sendo processado. ‘‘O rapaz preso agora é muito mais parecido com o retrato falado feito pelas supostas vítimas dele (Pereira) , diz o advogado Lineu Evaldo Engholm Cardoso, que defende o maníaco. ‘‘Além disso, os crimes aconteceram na mesma época - a partir de 1996 -, ambos agiam no parque do Estado e ambos usavam uma motocicleta.
As afirmações baseiam-se em entrevista publicada pelo jornal ‘‘O Estado de S. Paulo , na qual Xavier afirma que levava as vítimas para o parque do Estado, a avenida Ricardo Jafet e para um terreno baldio no bairro do Jabaquara.
A polícia sustenta que, informalmente, o motoboy admitiu ter violentado 15 mulheres. Em depoimento, porém, ele negou tudo. Nenhuma das mulheres que o reconheceram até agora foi levada para o parque do Estado. Junto com o pedido de reconhecimento, os advogados estão encaminhando à Justiça os retratos feitos por peritos dos dois acusados e as fotografias de ambos. ‘‘As supostas vítimas de Pereira sempre falaram de uma falha na sobrancelha esquerda, que esse rapaz (Xavier) tem , afirma Maria Elisa Munhol, também advogada do maníaco do parque.
Os defensores de Pereira admitem que a possibilidade de livrá-lo das acusações de estupro não tem efeito prático sobre sua pena, já que os homicídios já ultrapassam o teto de 30 anos previsto em lei. Eles alegam, porém, que inocentá-lo da violência sexual será uma forma de mostrar falhas nas investigações.
Cabe aos juízes do caso decidir se irão ou não submeter Xavier ao reconhecimento. Se o pedido for negado, a defesa deve recorrer.Arquivo FolhaViolênciaFrancisco de Assis Pereira é acusado de ter matado nove mulheres e de ter estuprado 16 no parque do EstadoAgência Folha

mockup