Curitiba- A defesa dos advogados de Curitiba e do Recife, acusados de esquema fraudulento para resgatar títulos da Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás), em entrevista coletiva na tarde de ontem, acusou a Polícia Federal (PF) de manipular provas e a estatal de energia de promover uma ''campanha intimidatória'' para inibir ações judiciais de valores altos. Michel Saliba Oliveira, José Lagana e o pernambucano João Bosco de Souza Coutinho, soltos na noite de terça-feira, depois de quase 50 dias de detenção, acompanharam a coletiva. O advogado Sílvio Carlos Cavagnari e o autônomo João Marciano Oddpis, que também estavam presos, não compareceram.
O jurista René Dotti, que representa Saliba Oliveira, disse que a defesa irá aguardar o julgamento do mérito do habeas corpus concedido, liminarmente, pelo desembargador Néfi Cordeiro, da 7 Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região para decidir sobre possíveis ações indenizatórias e de responsabilidade administrativa contra a PF e Ministério Público (MP) federal. ''Acredito que o processo será arquivado'', avaliou Dotti ao falar da inexistência de provas de corrupção, formação de quadrilha e estelionato, crimes imputados pelo MP a nove envolvidos.
Cavagnari e outros quatro réus no processo prestariam depoimento hoje na 1 Vara Federal Criminal, mas o interrogatório foi suspenso até o julgamento final do habeas corpus.
O advogado de defesa de três dos acusados, Cláudio Dalledone, listou uma série de irregularidades que teriam sido cometidas no desenrolar das investigações e do processo. Entre elas, abuso de autoridade na prisão dos advogados; ilegalidade e abuso da prisão preventiva e ilegalidade das interceptações telefônicas.
Coutinho argumentou que as ações propostas para o resgate de títulos são legais e que a Eletrobrás tenta desmerecê-las, pois já teria um passivo de R$ 91 milhões por conta do empréstimo compulsório cobrado nas contas de energia de 1965 a 1974. ''A Eletrobrás aplicou calote generalizado na população brasileira e comete estelionato nacional'', atacou.
A Eletrobrás informou, por meio da assessoria de imprensa, que não iria se manifestar sobre as acusações e manteve a posição esclarecida em nota oficial enviada no dia da prisão dos advogados. ''A Eletrobrás tem sido alvo de repetidas tentativas de fraude envolvendo obrigações (títulos ao portador). Os referidos papéis (...) foram emitidos pela Eletrobrás até 1977. O prazo máximo para resgate desses papéis expirou em 2002 e, portanto, os títulos não têm mais qualquer valor financeiro''.
A Polícia Federal também se negou a comentar as acusações.

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