Curitiba - O advogado Enelmo Zago afirmou ontem que nos próximos dias deve ingressar com pedido de liberdade do norte-americano James Todd Burch, 33 anos, preso na semana passada em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba). Burch é suspeito de integrar um esquema de tráfico internacional de crianças. Quando foi detido, o norte-americano estava com um bebê de três meses, que seria vendido para uma família dos Estados Unidos. Burch está preso na carceragem da Superintendência Regional da Polícia Federal (PF), em Curitiba.
Segundo Zago, o norte-americano não iria vender o bebê e não teria cometido ato criminoso ao enviar em 2003 um menino chamado Michael, hoje com 4 anos, para os Estados Unidos. ''Burch teve relacionamentos amorosos com as mães das duas crianças. No caso da Rita (Gomes, mãe de Michael), ela concordou em mandar o filho para os Estados Unidos. Rita planejava ir para aquele país em seguida, com Burch, o que acabou não acontecendo'', disse o advogado.
Em depoimento na PF, semana passada, Rita disse que Michael não é filho de Burch, mas que o norte-americano registrou o menino como se fosse pai dele. A mulher informou que a criança moraria com familiares de Burch. Na semana passada, Michael foi localizado nos Estados Unidos por autoridades policiais.
Sobre a situação do bebê de três meses encontrado em Colombo, Zago afirmou que a mãe ''inventou a história'' de que a criança seria vendida para uma família norte-americana. ''Esta mulher e Burch tiveram um relacionamento amoroso. Ele (Burch) cuidou da criança, levou-a ao médico. E registrou o menino como se o bebê fosse filho dele. Ele realmente não é pai biológico da criança. Mas não houve venda, não houve tráfico de criança'', defendeu o advogado.
A mãe do menino de três meses disse à PF que Burch iria vender o bebê e que ela própria receberia parte do dinheiro do negócio. Ela foi presa na quarta-feira da semana passada e liberada anteontem. ''Ela colaborou com a polícia, prestou informações. Por isso achamos que não havia necessidade de requerer prisão preventiva'', justificou o delegado Fernando Francischini, que comanda as investigações.
Ele afirmou que aguarda que a polícia dos Estados Unidos envie documentos e transcrições dos depoimentos de uma mulher chamada Michele, que estaria intermediando a compra do menino de três meses, e da mãe de Burch, que estaria cuidando de Michael. Francischini afirmou que apenas depois da chegada destes papéis haverá uma definição sobre a situação do filho de Rita. ''Se for requisitada a volta de Michael para o Brasil, isto será feito via Itamaraty'', comentou o delegado.
O bebê de três meses está na Casa de Apoio à Família de Colombo. A promotora da Vara de Infância e Juventude da comarca, Daniele Gonçalves Thomé, disse ontem que a criança ''provavelmente'' será encaminhada para adoção.

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