Defesa depõe no caso da morte de índio
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sexta-feira, 06 de junho de 1997
Agência Estado Brasília 
A juíza do Tribunal de Júri do Distrito Federal, Sandra de Santis, ouviu ontem 29 testemunhas de defesa - entre amigos, porteiros, empregados e professores - dos quatro rapazes acusados de terem queimado vivo o índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, em abril passado. A promotora do caso, Maria José Miranda, afirmou que os depoimentos em nada acrescentaram sobre o crime, e serviram apenas para que a defesa dos acusados comprovasse que todos possuem bons antecedentes.
Os depoimentos duraram o dia todo e foram acompanhados por oito integrantes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que vieram de várias partes do País e vão auxiliar o Ministério Público na acusação. Três índios pataxó, Rita, Reginaldo e Geraldo, primos de Galdino, estiveram no Tribunal de Júri, mas não chegaram a entrar na sala de audiências. Os acusados estavam presentes.
Todas as testemunhas disseram que os estudantes Max Rogério Alves, Tomás Oliveira de Almeida, Antônio Novély Vilanova e Eron Chaves de Oliveira sempre tiveram boa conduta. Uma das testemunhas, Ana Luiza Veras, chorou junto com Novély, de quem seu filho era muito amigo. O fato chegou a comover a juiza Sandra de Santis, que conteve as lágrimas.
Mas as testemunhas da defesa, ironicamente chamadas de testemunhas de santificação dentro do Tribunal, terão pouca influência no processo, uma vez que atestaram apenas a boa conduta dos rapazes. Os estudantes são acusados de homicídio doloso, triplamente qualificado. Nenhum deles viu o crime e apenas prestaram informações sobre a personalidade dos rapazes, observou a promotora Maria José.
Segundo o advogado Raul Livino, que defende Eron e Tomás, os depoimentos de ontem podem desmentir as notícias de que os acusados eram acostumados a destratar mendigos e pessoas pobres. A defesa dos estudantes está aguardando, para a próxima semana, a decisão da Justiça sobre o pedido de sanidade mental dos quatro estudantes. A promotoria espera que a juíza Sandra de Santis indefira o pedido, ressaltou, porém, a promotora.
A tentativa do Ministério Público Federal do Distrito Federal em transferir o julgamento dos estudantes para a Justiça Federal sofreu ontem mais uma derrota. O procurador geral da República, Geraldo Brindeiro, deu parecer contrário à tentativa dos procuradores Luiz Wanderley Gazoto e Wellington Cabral Saraiva, mantendo o caso na Justiça Comum. A decisão final será tomada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Na mesma hora em que as testemunhas estavam sendo ouvidas no Tribunal de Júri, a modelo e ambientalista Bianca Jagger - ex-mulher do líder dos Rolling Stones, Mick Jagger - depositava flores na Praça do Compromisso, onde Galdino foi assassinado, na madrugada do dia 20 de abril. Ao primo de Galdino, Gerson Pataxó, a modelo disse que estava solidária com a luta dos índios. Bianca Jagger foi indicada pelo governo do Distrito Federal embaixadora simbólica de Brasília no exterior.


