Curitiba - O julgamento da gaúcha Valentina de Andrade, acusada de ser a mentora intelectual da castração e morte de duas crianças e lesões corporais em outras três no município de Altamira, no Pará, completa hoje 15 dias. Até agora, os depoimentos das 19 testemunhas de acusação e defesa ainda não foram ouvidos. Até agora, estão sendo realizadas as leituras dos autos e exibição de filmagens. Ontem, o advogado de defesa de Valentina, o paranaense Cláudio Dalledone Júnior, pediu a leitura da ação penal movida por ele contra a TV Infinito pedindo a reparação por danos morais à entidade Lineamento Universal Superior (LUS), que era administrada por Valentina.
''A matéria era caluniosa e maculava a honra da entidade'', afirmou Dalledone. Na reportagem, a LUS aparecia como sendo uma seita que utilizava rituais de magia negra e de sacrifício humano. Para ilustrar a reportagem, foram usadas simulações de castrações feitas por integrantes da seita durante uma reunião festiva. As imagens já haviam sido levadas aos jurados anteriormente pela promotoria, que as considera como prova de que as castrações eram realizadas na seita.
As imagens levadas ao ar pela emissora argentina estavam em fitas de vídeo apreendidas na casa de Valentina. No mesmo dia, foram apreendidas ainda uma caixa de cartuchos calibre 32, caixas de cartucho calibre 22 e uma machadinha. A fita foi exibida em plenário, mesmo diante dos protestos de Dalledone. Foi lido ainda o relatório da perícia de autenticidade elaborado pelo técnico do Centro de Perícias Científicas, Renato Chaves.
Esta semana, a Justiça do Pará indeferiu o pedido de habeas corpus liberatório em favor dos médicos Césio Caldas Brandão e Anísio Ferreira de Souza, condenados respectivamente a 56 e 77 anos de prisão. Eles queriam aguardar em liberdade o julgamento da apelação da sentença condenatória, proferida pelo juízo de primeiro grau.

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