Curitiba - A defesa da médica Virgínia Soares de Souza, da UTI Geral do Hospital Evangélico, em Curitiba, entrou com um pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) na tarde de ontem. Ela está presa desde o último dia 19 no Centro de Triagem de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), e foi indiciada por homicídio qualificado por supostamente acelerar a morte de pacientes sem chances de defesa.
A informação foi repassada pelo advogado Elias Mattar Assad, que contesta o conteúdo do inquérito policial, alegando que existe "uma série de equívocos, inclusive na interpretação do conteúdo de gravações feitas por um suposto agente policial que teria se infiltrado no hospital". "Não há provas da existência de fato criminoso, de materialidade, por isso entrei com o pedido de liberdade. Se não há crime, não há motivo para prisão", destacou.
Na tarde de ontem, o advogado também protocolou um documento na sede do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), na capital, pedindo para que a entidade se manifeste em relação à medicina intensiva e à prática de médicos em UTIs, além de prestar esclarecimentos sobre como são feitos os procedimentos. "Queremos um pronunciamento do Conselho, pois é o órgão que tem autoridade para regulamentar a profissão", disse.
Denúncia
Segundo informações do inquérito, a polícia apura cinco mortes que aconteceram entre dezembro de 2011 e março do ano passado, na UTI do hospital. Conforme a denúncia, depoimentos relatam que a quantidade de oxigênio era diminuída e sedativos eram usados para alterar o funcionamento do pulmão dos pacientes, o que pode poderia acelerar a morte por meio de paradas respiratórias. O inquérito ainda traz transcrições de escutas feitas entre médicos e outros funcionários da UTI. As vítimas seriam pacientes que estavam em coma, com risco de ter sequelas ou de demorar para sair da situação, apontou o inquérito.
Em nota oficial, o Conselho Regional de Medicina do Paraná informou que "tão logo tenha acesso ao conteúdo dos autos do inquérito, vai dar andamento à sindicância já aberta e avalizar o caso com critério técnico, serenidade e imparcialidade".

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