Defesa de Lopes é o 1º caso de grande repercussão de criminalista
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segunda-feira, 26 de abril de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 27 (AE) - Criminalista de renome no Rio, o advogado Luiz Guilherme Vieira, não tinha ainda no currículo uma figura do cenário político e econômico do porte do ex-presidente do Banco Central (BC) Francisco Lopes e um caso de tanta repercussão nacional.
Vieira refere-se a Lopes: em conversas recentes com seus pares, ele se refere a Lopes, como o seu "grande caso". Não é à toa que, em seu escritório no centro da cidade, o economista seja considerado como a "banda nobre" da clientela.
Antes desse caso, ele tinha destacado-se como um dos defensores do bicheiro Ailton Guimarães, o capitão Guimarães, e de um dos acusados pela morte da menina Mônica Granuzzo, em 1985
que comoveu a cidade.
Seu caso mais polêmico, porém, talvez tenha sido a defesa de Guilherme de Pádua, o assassino da atriz Daniella Perez. Vieira não chegou até o julgamento: teve problemas com o cliente e, depois, discordâncias profundas com o advogado que defendeu o ator, Paulo Ramalho. Dias depois do julgamento, ambos se encontraram e, numa discussão acalorada, Vieira acusou Ramalho de ter "carnavalizado" o processo, ao comparecer até a programas de auditório.
A mesma crítica, quem diria, paira sobre ele agora. Considerado pela maioria dos colegas, até hoje, um profissional talentoso, Vieira não passou pelo crivo de alguns respeitados advogados. "Não entendi como ele não considerou o aspecto político, num caso em que isso é que vai determinar o andamento jurídico", apontou um criminalista no Rio. "Ele agiu como um deslumbrado, não teve sensibilidade para sentir o ambiente", criticou outro advogado de grande banca.
Em contrapartida, Vieira - que completou 39 anos exatamente no dia em que entrou para a história das CPIs -, passou o dia de hoje recebendo telegramas e telefonemas de apoio. Um deles foi de seu ex- colega de escritório e mentor intelectual, o criminalista Antonio Carlos Barandier, que o contratou, recém-formado pelas Faculdades Cândido Mendes, no início dos anos 80. "Ele nasceu para ser advogado", afirma Barandier. "Luiz Guilherme sacrificava noites e fins de semana estudando, porque tinha o objetivo de não ser apenas mais um advogado."
Vieira começou, na verdade, aos 19 anos, como estagiário no escritório do advogado Nilo Batista, que se lembra de seu jeito vivaz. "Ele era muito esperto e logo se destacou", diz. Depois de um ano, foi estagiar com Barandier, contratado e, após sete anos, abriu seu próprio escritório. Dividiu casos com o famoso criminalista Evaristo de Moraes Filho e, há alguns anos, começou a adquirir luz própria.
Até os amigos reconhecem, no entanto, que Vieira é um tanto vaidoso - e sempre se preocupou em manter boas relações no meio jurídico. "Ele faz o tipo prestativo, que, se você menciona ter sabido de uma decisão qualquer do STF, aparece no dia seguinte no seu escritório levando o texto", descreve um advogado. Outra palavra muito aplicada a ele é workaholic. "Ele é uma pilha", define Barandier. Desde que pegou o caso de Lopes
ele vem trabalhando numa média alucinante de 18 horas a 20 horas por dia - e ai de quem não o acompanhe.
Esse perfil de dedicação total faz com que a imagem de Vieira seja a de um sujeito sempre com livros e papéis na mão - jamais uma raquete de tênis ou uma bola de futebol. Casado pela segunda vez com uma advogada, Patrícia, que está grávida, ele tem uma filha do primeiro casamento, com a filha do desembargador Silvio Capanema, e mora numa casa de quatro andares em Santa Teresa, no centro do Rio.


