Defesa de estudante suspeito de racismo quer acesso a processo criminal
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de novembro de 2018
Rafael Machado<br>Grupo Folha 
A defesa do estudante de Direito Pedro Belllintani Baleotti, 25 anos, pediu nesta semana ao juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio, acesso ao mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Civil na última sexta-feira (02) no apartamento dele, na rua João Huss, Gleba Palhano, região sul. O magistrado ainda não decidiu se irá acatar a petição. O rapaz é investigado por incitação ao racismo e porte ilegal de arma de fogo depois de ter gravado um vídeo em que diz: "indo votar... com arma, faca, pistola e o diabo. Louco pra ver um vagabundo com camiseta vermelha e já matar logo. Ó (vira o celular para um motociclista que está a sua frente), tá vendo essa 'negraiada' aí? Vai morrer, vai morrer! Aqui é capitão!".
Estudante é suspenso de universidade por vídeo racista
Suspeito de racismo em vídeo tem arma apreendida
Nas imagens, Baleotti veste uma camiseta do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Segundo a polícia, ele fez outra gravação onde aparece mexendo em uma arma registrada no nome de seu pai. O advogado Rafael Garcia Campos, que defende o jovem, não quis dar entrevista sobre a solicitação feita à Justiça. A investigação teve o sigilo decretado pela 3ª Vara Criminal. No começo da semana, o delegado-chefe da 10ª Subdivisão, Osmir Ferreira Neves, disse que um revólver calibre 38, uma espingarda de pressão e munições foram apreendidas na casa do investigado.
De acordo com o delegado, o estudante negou em depoimento que seja racista e argumentou a veiculação do vídeo como um fato isolado. Neves assegurou que nenhum material ligado a partidos políticos foi localizado na residência de Baleotti. O inquérito deve ser encerrado até o final de novembro. Pedro cursa Direito na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo (SP), de onde foi suspenso temporariamente. O escritório de advocacia DDSA demitiu o suspeito no dia seguinte que o vídeo viralizou nas redes sociais. O aluno já foi indiciado pela Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) da capital paulista.
Em um áudio enviado à imprensa, Baleotti diz estar arrependido. Ouça na íntegra:
Manifestação
A polêmica provocou um protesto do Coletivo Negro Afromack, do Mackenzie. Em nota oficial postada no Facebook, o grupo considerou "o ato de grande relevância, dado o momento em que vivemos, onde os discursos de ódio, sobretudo os racistas, têm ganhado força. Não podemos perder de vista que este é apenas um pequeno passo para mudanças importantes que devem ocorrer, para o bem-estar e viver da população negra".


