Curitiba - Depois de cerca de 15 horas de um julgamento iniciado na manhã de sexta-feira, às 17h15 de sábado o juiz Daniel Ribeiro Surdi de Avelar leu a sentença: por quatro votos a três, Beatriz Cordeiro Abbage, 47 anos, foi considerada culpada e condenada a 21 anos e quatro meses de prisão pela morte do garoto Evandro Ramos Caetano, de seis anos, em 1992, em um ritual de magia negra, em Guaratuba, no Litoral do Estado.
Como Beatriz já cumpriu cinco anos e nove meses de prisão (mais de 1/6 da pena), terá que cumprir mais 1/6 da pena em regime semi-aberto para, depois, ganhar a liberdade condicional. O advogado de defesa, Adel El Tasse, adiantou que pedirá a nulidade do julgamento. Beatriz aguardará o recurso em liberdade.
Chorando, Beatriz repetiu: ''Não aceito, eu sou inocente e vou continuar lutando para provar minha inocência''. Celina Abbage, mãe de Beatriz, precisou de atendimento médico. Celina, hoje com 73 anos, também era acusada pelo crime, mas por ter mais de 70 anos teve a punibilidade extinta, segundo a lei brasileira. ''Já estamos preparando os recursos, pois esse resultado não abala em nada nossa convicção plena da inocência de Beatriz'', declarou, ontem, o advogado. Segundo ele, a intenção é esgotar o recursos na justiça brasileira e chegar às cortes internacionais. Já há um recurso no Supremo Tribunal de Justiça (STJ).
No primeiro julgamento, de 1998, Celina e Beatriz Abagge foram inocentadas por não haver provas de que o corpo encontrado desfigurado num matagal, cinco dias após o desaparecimento do garoto, seria de Evandro. O Ministério Público do Paraná (MP-PR) recorreu e o julgamento foi anulado. Outros cinco acusados foram julgados em 2004: três foram condenados.
Durante o julgamento, a defesa voltou a questionar a identidade do corpo e sustentou que Beatriz foi torturada e estuprada por policiais para confessar o crime. O MP, por sua vez, mostrou provas de que o corpo seria de Evandro e negou a tortura.

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