São Paulo, 05 (AE) - O ex-comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, coronel Luís Roberto Carchedi, de 50 anos, afirmou hoje que foi "tirado" do posto e transferido para a cidade de Bauru por ser favorável à independência dos bombeiros, subordinados ao Comando da Polícia Militar. Carchedi disse que, como represália, o comandante da corporação, coronel Rui César Melo, transferiu ainda o subcomandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Hipólito Pinto, para Ribeirão Preto, e o comandante da capital, coronel Orlando Rodrigues Camargo, para Guarulhos. "Estão preparando um desmonte com a saída de capitães, majores e tenentes-coronéis".
De acordo com o ex-comandante-geral, a missão do bombeiro é diferente da dos demais policiais militares. "Em 17 Estados brasileiros, o bombeiro foi desvinculado dos comandos e isso deve acontecer em São Paulo". O secretário da Segurança Pública, Marco Vinício Petrelluzzi, declarou que Carchedi será punido "não por querer a separação dos bombeiros, mas por ter cometido uma infração ao regulamento da corporação e feito críticas à decisão do comandante-geral". O coronel poderá ser preso ainda amanhã.
Petrelluzzi disse que, enquanto for secretário, será contrário à separação. "Estou ao lado da população, pois os bombeiros completam o trabalho dos demais PMs e estes completam o trabalho dos bombeiros". O secretário fez questão de explicar que o bombeiro é um policial militar pronto para exercer qualquer tipo de trabalho, seja combatendo a criminalidade nas ruas, apagando fogo, salvando pessoas afogadas ou socorrendo vítimas do trânsito. "A função do coronel é administrativa".
O ex-comandante dos bombeiros contou que, no dia 18 de novembro, foi chamado pelo comandante Melo para dar explicações sobre a emenda do deputado Vaz de Lima, que propõe a autonomia dos bombeiros. "Eu disse que a desconhecia mas era favorável à separação e o comandante pediu para que eu fosse contra". Como continuou a favor da emenda, 40 dias depois foi tirado do comando dos bombeiros e transferido para Bauru, acredita Carchedi. Há 24 anos atuando no Corpo de Bombeiros, o coronel revelou que não conhece a região de Bauru: "Quem vai perder será a população, porque não posso contribuir para o combate ao crime".
Esta é a quarta tentativa de separar os bombeiros da Polícia Militar. As outras ocorreram em 1947, 1989 e 1994. O bombeiro tem orçamento, "vida própria e precisa sair da PM", conclui Carchedi.