Curitiba - Os advogados de defesa de V.M.F., de 20 anos, preso temporariamente desde 3 de outubro, acusado de abusar sexualmente de uma menina de cinco anos, afirmaram ontem, em entrevista coletiva à imprensa, que o rapaz nega totalmente as acusações feitas contra ele. Os advogados contestam vários pontos do inquérito policial presidido pela delegada Paula Brisola, do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) da Polícia Civil.
O advogado Guilherme Ferraz Lewin contesta o pedido de prisão temporária feito pela delegada. Esse recurso, segundo ele, é utilizado para evitar que o réu prejudique as investigações, o que não teria ocorrido. Antes de ser decretada a prisão, V.M.F. teria comparecido espontaneamente no Nucria para tirar fotografias que seriam usadas para o reconhecimento. Também juntou uma petição ao inquérito colocando-se à disposição.
Segundo o advogado, apenas um funcionário do local não compareceu ao Nucria para fazer as fotos, o qual ''estranhamente'' estaria, agora, na cidade de Marília, em São Paulo. O Nucria, inclusive, expediu carta precatória solicitando que seja ouvido pela delegacia local. ''Um funcionário não foi ouvido, mas a delegada concluiu o inquérito do mesmo jeito'', criticou.
Para ele, a delegada foi precipitada ao pedir a prisão temporária. Lembrou outro caso em que um pedido da mesma delegada resultou em prisão indevida. Em julho do ano passado, um casal ficou preso 163 dias em Curitiba acusado de molestar sexualmente a filha recém-nascida. O bebê morreu e o casal foi solto depois que se provou que a criança tinha uma doença. Segundo o Tribunal de Justiça (TJ), o processo contra o casal foi arquivado.
Outro ponto contestado é o laudo psicológico da criança. ''O laudo foi feito sem qualquer técnica, o que foge às regras forenses, e é assinado por uma investigadora de polícia e uma psicóloga do Nucria, que são subordinadas à delegada'', disse o advogado Roberto Morozowski.
Caso a denúncia apresentada pelo Ministério Público seja acatada pela Justiça e o caso seja levado a julgamento, os advogados pretendem pedir uma avaliação psicológica de todos os envolvidos pelo método Rorschach, que, segundo eles, tem melhor resultado.
Os advogados citaram, ainda, o fato da família da vítima ter feito uma investigação preliminar ao inquérito policial. Eles acredita que a criança pode ter sido induzida em processo que classificou como ''envenenamento do reconhecimento''. Citaram, ainda, o fato da mãe só ter feito o Boletim de Ocorrência na delegacia nove dias depois do suposto crime.
V.M.F., que trabalha como monitor do parque de diversões pertencente a uma loja infantil, é acusado de atentado violento ao pudor. O Ministério Público (MP) ofereceu denúncia contra o monitor. A defesa entrou com pedido de revogação da prisão temporária, mas o MP se manifestou contrário à medida e já solicitou que a justiça decrete prisão preventiva do acusado.

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