"O rádio nos permite ter um alcance ilimitado", diz Paulo Pegoraro, voluntário da Defesa Civil e vice-coordenador do grupo de radioamadores da região de Londrina
"O rádio nos permite ter um alcance ilimitado", diz Paulo Pegoraro, voluntário da Defesa Civil e vice-coordenador do grupo de radioamadores da região de Londrina | Foto: Gustavo Carneiro


A cena é a seguinte: o nível do rio Tibagi subiu, alagando todo o município de Jataizinho (Região Metropolitana de Londrina). Não há energia elétrica e nem sinal para comunicação via telefone fixo, celular ou internet. O que fazer nessa situação? "A única possibilidade é a comunicação via radioamador. Para isso, vamos precisar de uma antena, o equipamento de rádio e uma fonte de alimentação, que pode ser a bateria de um veículo, por exemplo", explica Paulo Pegoraro, voluntário da Defesa Civil e vice-coordenador do grupo de radioamadores da região de Londrina, criado há dois anos. Com essa estrutura bem montada, é possível estabelecer uma comunicação com o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar, por exemplo. Feito isso, todas as instruções para salvar vidas em uma situação de emergência ou calamidade podem ser repassadas pelo rádio.

"Nesse momento, a gente vai atender todas as orientações dos bombeiros, pois nossa tarefa aqui era criar um canal para podermos repassar informações como o número de vítimas, se é necessário resgate ou materiais, entre outros", comenta. Apesar das enchentes ocorrerem com uma certa frequência em Jataizinho, esta situação relatada acima foi apenas uma simulação de comunicação de emergência para avaliar a interação entre os órgãos competentes por meio de radioamadores, avaliar o tempo de resposta aos incidentes e a qualidade na mobilização de toda a operação.

O evento aconteceu na manhã de domingo (30), com um ponto fixado na sede do Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) em Jataizinho, outro em uma propriedade rural em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina) e o terceiro em Londrina, no Comando Central do Corpo de Bombeiros. A ideia, segundo Pegoraro, foi simular um caso mais complexo, isto é, com uma maior distância geográfica. "O rádio nos permite ter um alcance ilimitado", diz.

Esse é a quarta vez que a 3ª Corpdec (Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil) Londrina, que atende 63 municípios, realiza um simulado. Para isso, são disponibilizados técnicos e veículos para auxiliar a atividade, que geralmente ocorre a cada seis meses. O auxiliar da Defesa Civil da 3ª Corpdec, o soldado Paulo Henrique Marques, ressalta que esse trabalho em conjunto é proposto pela coordenadoria estadual, pensando nas situações adversas que podem ocorrer na região. "Já realizamos um simulado em Londrina, com testes de rádio dentro do município, além de um geral com base em Curitiba, abrangendo todas as regionais", afirma.

Os voluntários explicam que o maior desafio do trabalho é a topografia - é preciso identificar e montar a antena em pontos estratégicos para a comunicação, que no caso são comumente em pontos muito altos. Após a simulação, as equipes se reuniram no posto Tókio do Corpo de Bombeiros, em Londrina, para discutir os detalhes. Neste treinamento, não houve nenhuma intercorrência na comunicação pelo rádio.

UTILIDADE

Paulo Pegoraro é um entre os 16 voluntários da 3ª Corpdec e se dedica a ajudar a salvar vidas há cerca de 20 anos. O radioamadorismo começou como um hobby, mas com o tempo o representante comercial descobriu que essa dedicação poderia ter uma grande utilidade pública. "Fiz um estágio na Defesa Civil, quando morei em Santa Catarina e até hoje sou voluntário", conta ele, que já teve que entrar em ação em um incêndio na Serra do Mar, em 1999. "Os bombeiros foram para a mata e, pela distância, a comunicação foi perdida. Sobrevoamos a região de helicóptero e com meu equipamento conseguimos falar com eles. Desde que comecei, essa foi a única vez que fui acionado, o que é bom, pois quando nos solicita é porque a coisa está feia", comenta.

Outros apaixonados pelo radioamadorismo, Éber de Mello Rodrigues e Francisco Manoel da Costa Junior também se tornaram voluntários da Defesa Civil. Durante a simulação, Rodrigues, que é técnico em informática, acertava os detalhes na comunicação com o ponto montado em Ibiporã. "Eu nunca participei de uma situação real", conta ele, considerando os 12 anos de dedicação.

Já Costa Junior, se voluntariou há cerca de um ano, mas já sabe a importância de estar bem instruído. "A gente não quer que aconteça, mas se precisar, estamos aí. É um serviço para a comunidade", completa.

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