Defesa Civil retira gado de Ilha Grande
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terça-feira, 28 de janeiro de 1997
Leonardo Revesso e Redação 
IrregularidadeCerca de duas mil cabeças são criadas em pastagens abertas com a devastação de mata nativa na Ilha Grande
VILA ALTA - A defesa civil iniciou ontem a retirada do gado criado irregularmente no arquipélago de Ilha Grande, coberto parcialmente pela cheia do Rio Paraná, no Noroeste do Estado. O trabalho começou em Vila Alta, onde fica a maior concentração de ilhas. A prefeitura está fazendo um cadastro do gado para apresentar ao Ministério Público e tentar impedir que os animais sejam devolvidos às ilhas depois que o rio voltar ao nível normal - cinco metros abaixo do que se encontrava ontem. O resgate das famílias que tiveram as casas invadidas pela água foi concluído no domingo à tarde. Só na região, a mais afetada são cerca de 200 desabrigados.
Uma reunião deve acontecer ainda esta semana entre técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), representantes do Ministério Público e das prefeituras de Vila Alta, Icaraíma, Altônia e São Jorge do Patrocínio e presidentes de Áreas de Proteção Ambiental (Apas) desses municípios para definir a estratégia para conter a volta do gado. As prefeituras têm interesse direto no assunto porque têm a liberação de recursos do ICMS Ecológico condicionada à preservação do arquipélago.
De acordo com o chefe do IAP em Umuarama Ciori José Pontello, cerca de dois amil animais continuam sendo criados em pastagens abertas com a devastação de matas nativas na Ilha Grande, a maior do arquipélago. Há três anos, quando os órgãos ambientais iniciaram as negociações com os fazendeiros para a retirada dos animais o número era bem maior, aproximadamente de quatro mil. Alguns criadores resistiram à ação movida pelo Ministério Público e até hoje mantém criações no local com recursos na Justiça. A decisão final sobre o direito de permancência do gado deve sair nos próximos meses.
A proibição de acordo com Pontello, se deve a situação do arquipélago bastante devastado. Pelo menos 80% das plantas e da mata nativa foram destruídas para a implantação de pastagens. O primeiro passo dos municípios envolvidos na proteção das ilhas foi criar as APAs para limitar a ação dos fazendeiros. Pouco depois em dezembro de 1994, o governo do Estado elevou o arquipélago a Estação Ecológica, o que restringiu ainda mais as atividades extravistas no lugar. A ação ficou limitada a pesquisas científicas sobre o meio ambiente.
O transporte dos animais está sendo feito em balsas dos próprios fazendeiros com a ajuda de bombeiros, policiais militares e voluntários que integram a equipe de defesa Civil. O trabalho é bastante lento, já que em muitos pontos o gado está com água nos pés. Ainda não há cálculo oficial, mas estima-se que pelo menos 50 animais tenham morrido afogados ou por picada de cobras, que aparecem por todos os lados.
Próximo a Guaíra no Oeste do Estado, a Itaipu Binacional mantém uma equipe recolhendo todos os animais em situação de risco. Desde ontem, cinco cervos do Pantanal foram capturados e levados para Foz do Iguaçu, onde serão tratados e devolvidos ao habitat natural assim, que o quadro se normalizar. Os animais são encontrados nadando no rio. Um deles morreu afogado.
Foz do Iguaçu - Chuvas intensas nas cabeceiras dos rios Iguaçu e Paraná que já duram 20 dias já fizeram subir seis metros acima do normal o nível das margens dos dois rios, em Foz do Iguaçu. Totalmente poluído, o rio Boicy também subiu cerca de seis metros, ameaçando a saúde de favelados. As favelas do Cemitério e da Marinha são as mais atingidas e estão em estado de alerta.
Em caráter preventivo, a prefeitura de Foz do Iguaçu já removeu algumas das famílias das áreas mais próximas aos rios, abrigando-as no Portal de Foz. Caso o nível dos rios chegue a oito metros acima do normal, mais 20 famílias terão que ser removidas. Nas últimas cheias, as águas arrastaram várias casas, a maioria feitas de eucatex usado e cobertas com pedaços de brasilite e lona plástica. A vazão do Rio Paraná, abaixo da hidrelétrica de Itaipu, chegou ontem a 26 mil metros cúbicos por segundo - o dobro do normal. Segundo previsões, o nível do rio deve subir ainda mais nos próximos dias.


