Defesa Civil interdita prédio invadido no Rio
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segunda-feira, 20 de março de 2000
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 21 (AE) - A Defesa Civil Municipal do Rio interditou hoje um prédio de três andares no número 460 da Rua Teixeira Ribeiro, em Bonsucesso, na zona norte, e cerca de 500 pessoas tiveram que abandonar o local. Na noite de segunda-feira
as 130 famílias que habitavam o prédio, ocupado ilegalmente desde 93, ouviram fortes estalos e estrondos. Temendo um desabamento, dormiram na calçada. Uma equipe de engenheiros da prefeitura encontrou muitas rachaduras e infiltrações nas paredes dos apartamentos, além de vigas aparentes.
A primeira vistoria dos técnicos da Defesa Civil ocorreu às 2 horas de hoje. Todos os moradores tiveram de deixar os apartamentos. Pela manhã, engenheiros voltaram ao local e condenaram o prédio, feito há 50 anos e sem qualquer reforma. Por causa de infiltrações e buracos no teto, havia vários cômodos alagados pelas chuvas.Hoje, por volta do meio-dia, algumas famílias foram autorizadas a ir aos apartamentos pegar documentos e pertences pessoais, acompanhadas de técnicos.
Segundo o diretor do departamento de Engenheria da Defesa Civil, Luís André Moreira Alves, não há risco iminente de desabamento, mas o perigo é grande. "Vimos muitas vigas em péssimo estado de conservação e ferragens muito deterioradas, além de pedaços de alvenaria caídos, o que torna o prédio inabitável", disse Alves.
Segundo moradores, o barulho ouvido parecia uma bomba explodindo."Todo mundo saiu correndo achando que o prédio cairia na mesma hora", contou a dona de casa Cledinéia Carvalho. "Levei meus filhos para a casa de um parente e fiquei na rua com o meu marido." A representante dos moradores, Eliane de Souza, espera ajuda da prefeitura para que os desabrigados sejam alojados. "Estamos apavorados e agora só queremos um lugar digno para morar", disse.
Condenação - Moradores contaram que ocupavam o edifício - no número 460 da Rua Teixeira Ribeiro, onde funcionava um antigo frigorífico - ilegalmente desde 1993, quando ele foi abandonado. Segundo a Defesa Civil, uma vistoria feita em 1998 já havia condenado o local, mas as famílias acabaram retornando. "O quadro agora está muito mais grave, porque muitas construções irregulares foram feitas dentro do edifício", afirmou o engenheiro Alves. No ano passado, um muro desabou, mas ninguém ficou ferido.
No terraço do edifício foram construídos vinte barracos, o que, segundo a Defesa Civil, contribuiu para a má conservação das instalações, por causa do peso excessivo no teto. As famílias são provenientes de favelas do Complexo da Maré, também na zona norte, e da Baixada Fluminense. Hoje representantes da Secretaria Municipal de Habitação estiveram com as famílias desabrigadas para levá-los para um abrigo da prefeitura, mas os moradores se recusaram. Até as 16 horas, o impasse não havia sido resolvido.


