Defesa Civil interdita 16 casas após deslizamentos5/Mar, 21:03 Por Rogério Panda São Paulo, 5 (AE) - A Defesa Civil de São Paulo interditou 16 casas no Morro da Chácara Santo Antônio, no Jardim São Luís, zona sul, por causa de dois deslizamentos de terra. O primeiro foi há uma semana e provocou a destruição de seis casas. O segundo, na tarde de ontem (4), apesar de pouca gravidade, chamou a atenção dos técnicos da Prefeitura de São Paulo, que decidiram intervir no local. O administrador regional de Campo Limpo, Antônio Carlos Ganem, determinou que fosse demolido o que sobrou das casas. No terreno que pertence à Prefeitura, estruturas de ferro, concreto, terra e tijolos se misturavam com roupas e móveis. Na tarde da última segunda-feira, a dona de casa Doralice Fernandes Cardoso, de 32 anos, no 8.° mês de gestação, estava em uma loja pagando a 7.ª prestação de R$ 129,00 de seu fogão de seis bocas, quando começou a chover forte. "Tínhamos comprado fogão e armários novos." Doralice esperou a chuva passar para voltar para casa. Mas, ao chegar, não encontrou mais fogão, casa ou coisa alguma. Estava tudo debaixo da terra. Apenas na tarde de hoje ela e seu marido, o operador de produção Aleksandro Régis Cardoso, de 25 anos, conseguiram encontrar o fogão. "Estava novinho, só ia sair da caixa quando a criança chegasse", disse. Tubulação - Cardoso afirma que sua casa foi a primeira a ser destruída. Segundo ele, a tubulação de esgoto da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), que passava sob a construção, não aguentou a pressão da água e estourou. "A água começou a subir até estourar a tampa." A casa de Cardoso desmoronou e, com o impacto, destruiu mais cinco na vizinhança. Ninguém ficou ferido. Alicerces - O marceneiro desempregado Edson de Oliveira, de 35 anos, contou que a casa de Cardoso estava "pesada". "Ele construiu um sobrado e estava levantando mais um cômodo em cima", disse. "Não tinha alicerces fortes e desabou." A maioria dos desabrigados foi para casa de parentes ou estão em albergues municipais. A Prefeitura tem prazo de 60 dias para remover os moradores da 170 barracos em situação de risco da favela Vila Pullman, em Campo Limpo, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. A determinação consta da liminar concedida pela 14.° Vara da Fazenda Pública em ação civil pública proposta pela Promotoria de Habitação e Urbanismo do Ministério Público Estadual (MPE).