Rio - A cratera aberta na BR-356, em Campos de Goytacazes (RJ), que causou a inundação da comunidade de Três Vendas na quinta-feira não foi uma ''ação planejada'', como disse o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra. Segundo a Defesa Civil, a rodovia se rompeu por falhas na BR-356, que deveria funcionar como um dique, mas não resistiu à força da água do rio Muriaé, que atingiu hoje cerca de dois metros de altura onde estão as moradias.
Cerca de 4 mil moradores que deixaram suas casas às pressas, cerca de 2 mil estão em três abrigos municipais e outras 2 mil ainda resistiam a abandonar suas casas, com medo de que seus imóveis sejam saqueados. A maioria das casas tem dois andares e os moradores colocaram os móveis na parte alta e planejam continuar lá. Para evitar acidentes, a Defesa Civil interrompeu o fornecimento de eletricidade.
Outro problema é a escassez de água potável. O pintor Afonso dos Santos, de 20 anos, improvisou uma pequena caixa d'água para armazenar o que ele conseguiu de água potável em casa. ''É a única coisa que nós precisamos. Minha família está no segundo andar da casa, com todas as nossas coisas'', contou. Outro morador, Silmar Domingos, 45, também pretende continuar em casa com a mulher, filhas e uma família de vizinhos abrigados. ''Vou ficar até o final'', garantiu.
Moradores que saíram de casa voltaram com medo de saques. ''Não tenho muitos bens, mas queria ver se não levaram minha TV e roupas. Este ano até que tivemos tempo para salvar as coisas. Em 2008 foi muito pior, porque aconteceu muito rápido'', contou a dona de casa Lenilda da Silva, que não entrou em casa por medo de levar um choque elétrico. ''Recomendamos a saída imediata das pessoas, pois se trata de uma área de risco. Ao contrário do que pensam os moradores, a água será totalmente escoada em 30 dias, pois será absorvida pelo solo. Não há previsão de chuva forte, mas, em caso de tempestade, a situação se agravaria'', afirmou o coordenador da Defesa Civil Estadual no Norte Fluminense, coronel Moacir Pires.
A Defesa Civil de Campos culpa o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) pela cratera na rodovia. ''Houve um rompimento no ponto de passagem de água, onde existiam três manilhas para drenar a água da chuva. Acredito que a obra feita pelo Dnit em 2008 foi mal feita'', disse o subsecretário de Defesa Civil de Campos, major Edson Pessanha.
Em nota divulgada ontem, o Dnit nega que a rodovia tenha sido planejada ou adaptada para funcionar como dique.

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