Defesa Civil deveria agir antes de tragédias, diz especialista
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terça-feira, 29 de fevereiro de 2000
Por Uilson Paiva 
São Paulo,01 (AE) - A Defesa Civil do Município deveria agir com mais veemência na prevenção de tragédias nas áreas de risco e não apenas depois das mortes terem se consumado. A opinião é de Eduardo Macedo, pesquisador da divisão de Geologia do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que trabalha em programas conjuntos com as defesas civis do litoral norte paulista e em Campos do Jordão, entre outros.
Segundo Macedo, as defesas civis municipais e estaduais têm se limitado a agir depois das tragédias. Segundo ele, porque os procedimentos necessários nas cerca de 1.200 áreas de risco da capital - como contenção das encostas, reurbanização das favelas e fiscalização para que novas áreas não sejam ocupadas - implicam custos, investimentos em habitação e em local para essas pessoas serem transferidas.
"Acabamos chegando à conclusão de que tudo vai demorar anos para ser resolvido", afirma Macedo. "Mas a defesa civil poderia concentrar-se mais na retirada das pessoas dos locais mais perigosos porque ela tem poder de polícia", diz ele.
Macedo defende maior investimento na estrutura e aparelhamento da Defesa Civil para que faça um trabalho preventivo. "Hoje ela só retira as pessoas quando a terra já caiu", diz. "O que precisamos é que ela tenha uma estrutura do tamanho do problema."
José Basílio, da central de Comunicação Social da Defesa Civil Municipal, afirma que o problema maior é a resistência dos moradores em sair do local. "Não saem até mesmo de onde já ocorreu a tragédia", diz, referindo-se ao Morro da Lua, no Campo Limpo, zona sul, onde 12 pessoas morreram em um soterramento na segunda-feira. "Se vamos tentar tirá-los à força vira uma guerra."


