Defesa Civil contabiliza nove mortes causadas pela chuva no Rio
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sábado, 17 de janeiro de 2004
Agência Folha 
São Paulo - A Defesa Civil do Rio contabiliza ao menos nove mortes causadas pela chuva que atingiu o Estado entre quinta-feira e ontem. Há ao menos 1.268 pessoas desalojadas (abrigadas nas casas de parentes ou amigos) e 450 desabrigadas (levadas para abrigos públicos). Pai e as filhas de 3 e de 10 anos morreram soterrados em Xerém (Baixada Fluminense). A irmã mais velha das meninas, de 17 anos, estava em outro cômodo da casa e sobreviveu. Ela está grávida de 7 meses.
As outras mortes foram registradas em Santo Antônio de Pádua (3), Três Rios (1), Cambuci (1) e São Fidélis (1). Ao menos uma pessoa está desaparecida. Segundo o tenente-coronel Roberto Lucente, subdiretor do Departamento Geral de Defesa Civil do Rio, estão em estado de emergência os municípios de Itaperuna, Macuco, Três Rios e Levy Gasparian.
O número de mortos em decorrência das chuvas que atingem o Estado de Minas Gerais desde dezembro chega a 14. Do total, dez foram vítimas de soterramento e as outras quatro foram arrastadas pelas águas.
As chuvas que atingiram Aracaju (SE) desde o início da semana também provocaram estragos. Segundo o Corpo de Bombeiros, uma criança morreu vítima de afogamento no bairro São Conrado. O corpo foi encontrado ontem, mas ainda não há confirmação sobre a identidade da vítima. Os bombeiros dizem que um rapaz está desaparecido.
A chuva dos últimos dias também causaram estragos em Alagoas.
O motivo das intensas chuvas é a chamada Zona de Convergência do Atlântico Sul, um fenômeno típico do verão da América do Sul. Ele é provocado pela associação de áreas de instabilidade presentes no país com frentes frias vindas do Atlântico pela região Sul e que ficam paradas sobre determinada área por pelo menos quatro dias. Fatores como pressão atmosférica e a temperatura das águas oceânicas determinam a formação dessas zonas de convergência. A frente fria que se encontra sobre o Sudeste, por exemplo, está parada desde o dia 1º. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), quatro frentes frias se acumularam desde então sobre a região.
A ministra Benedita da Silva (Assistência Social) disse ontem que menos do que a falta de verbas, o principal obstáculo ao auxílio dos municípios atingidos é a burocracia, que torna demorada a transferência de recursos liberados pelo governo federal. Segundo Benedita, para efetuar a transferência dos fundos federais para os fundos do Estado ou dos municípios, é preciso ''oficializar a calamidade pública''.


