Defesa acusa polícia de induzir Monik
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quarta-feira, 01 de julho de 2009
Diego Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A defesa de Juarez Ferreira Pinto, 42 anos, acusou, ontem à tarde, a polícia de ter induzido Monik Pergorari de Lima, 24, a acreditar que seu cliente fosse o autor da morte de Osíris Del Corso, 22. O rapaz foi assassinado a tiros, no Morro do Boi, em Matinhos, no dia 31 de janeiro desse ano. Monik, também alvo do suspeito, ficou paraplégica, após receber um tiro que acertou sua coluna. O delegado Luiz Alberto Cartaxo disse que não houve erro, mas posso garantir que houve, sim, acusou o advogado Nilton Ribeiro.
A tese do corpo de defesa de Ferreira se baseia na análise feita pelo psicólogo forense e mestre em avaliação psicológica Rodrigo Soares Santos. Durante coletiva à imprensa, ontem, o especialista tentou demonstrar que todo o processo de reconhecimento foi realizado fora do padrão.
Com apoio da gravação do reconhecimento e de um caso norte-americano que seria semelhante ao do Morro do Boi, Santos apontou supostas falhas no procedimento que teriam auxiliado Monik a criar o que ele chama de falsa memória.
Na opinião do psicólogo, as pessoas que participaram do reconhecimento pessoal, no hospital Vita, possuem características diferentes da fisionomia descrita como a do suspeito. Essa diferença, segundo o especialista, já deixaria a vítima predisposta a apontar Juarez.
Outro argumento é que as outras pessoas apresentadas na sessão de reconhecimento eram policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) que circulavam próximo a Monik. Para o psicólogo, isso deixava a jovem tranquila, pois ela saberia que eram policiais, e com a certeza de que o delegado não deixaria o suspeito perto dela. Mais uma vez, o fato induziria a resposta afirmativa sobre Juarez.
No inquérito consta que cinco ou seis pessoas semelhantes, com as mesmas características que Juarez, se apresentaram durante a investigação, afirmou Santos. De acordo com ele, essas pessoas poderiam ter sido usadas no reconhecimento.
Sobre a insistência de Monik em reafirmar ser Juarez o autor do crime, o psicólogo tem uma resposta. Ela ainda mantém a emoção forte do caso ligada à imagem de Juarez. É muito provável que ela não mude opinião porque ela realmente acredita que seja ele, justificou.
A defesa ainda ressalta que Monik voltou atrás em várias afirmações no inquérito como quando ela disse que havia sido vítima de estupro e voltou atrás.
O delegado Luiz Alberto Cartaxo disse que todo reconhecimento foi feito com base nos critérios do Código de Processo Penal. É absolutamente irreal o que eles estão falando, disse.
O irmão de Juarez e investigador da polícia, Altair Ferreira Pinto, conhecido como Taíco, acusou a promotora Carolina Dias Aidar de Oliveira, que ofereceu a denúncia contra Ferreira, de estar emocionalmente envolvida no caso. Ela se envolveu emocionalmente e, na audiência, amedrontou as testemunhas de defesa, disse Altair. O MP divulgou nota repudiando as ilações lançadas contra a promotora.


