São Paulo- A Defensoria Pública de São Paulo estuda entrar com uma ação para revogar a reintegração de posse do terreno da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), em São Paulo, realizada ontem. A reintegração causou a interdição da marginal Pinheiros na altura da ponte Engenheiro Ary Torres e causou reflexos no trânsito da cidade.
Segundo a defensora Carolina Pannain, vários moradores relataram que não haviam sido avisados sobre a operação e que não tiveram tempo para recolher pertences. ''Estudamos derrubar a liminar ou pelo menos conseguir mais tempo para que eles possam deixar suas casas'', afirma Pannain.
A Defensoria foi chamada ao local pela advogada Maria Célia Barletta, do Projeto Casulo, ONG que atua na favela Real Parque, instalada no terreno. Segundo Barletta, a Polícia Militar cometeu excessos na reintegração.
''Entraram (o terreno) como se estivessem invadindo um presídio em rebelião. Derrubando tudo e arrancando as pessoas'', disse. A defensora também ouviu relatos de moradores, que disseram terem sido retirados das casas com violência e uso desnecessário de spray pimenta.
A Polícia Militar nega as acusações dos moradores e diz que só usou o gás e balas de borracha porque os manifestantes ocuparam a pista expressa da marginal.
Barletta afirma que os moradores só ocuparam a via porque não sabiam para onde seriam levados. ''Não deram endereços, as pessoas tinham que entrar nos caminhões sem saber para onde estavam sendo levadas'', afirma a coordenadora da ONG.
A reportagem entrou em contato com a Emae, mas a empresa disse que apenas pediu a reintegração de posse à Justiça e que a Subprefeitura do Butantã cuidaria do destino dos moradores. A Subprefeitura do Butantã afirmou que apenas a Emae teria informações sobre o caso. A Secretaria das Subprefeituras também foi procurada pela reportagem, mas ainda não se manifestou.

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