Os baixos valores repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para a realização de exames e procedimentos cirúrgicos vem causando problemas aos pacientes da rede pública. A Secretaria Municipal de Saúde tem dificuldades para encaminhar os pacientes já que hospitais e clínicas particulares estão se negando a prestar o serviço ao SUS.
O aposentado Pedro Martins, 69 anos, é um dos que vêm sendo penalizado pela defasada tabela do SUS. Na última semana, ele procurou atendimento de um cardiologista no Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio-Paranapanema (Cismepar), por causa de um problema na veia aorta. Para obter mais informação sobre o problema do paciente, o médico solicitou a realização de um ecocardiograma, uma espécie de ultrasonografia do coração.
Martins foi surpreendido quando o especialista informou que teria que pagar pelo exame, pois nenhuma clínica oferecia o serviço pelo SUS. Para amenizar a situação, segundo o aposentado, o médico indicou uma clínica onde ele pagaria um valor menor que o cobrado de pacientes particulares. ''Eu até tenho condições de pagar, mas não vou. Não estou defendendo somente meus interesses, mas de outros que não têm dinheiro nem para comer'', ressaltou.
A assistente administrativa da clínica, Gisele da Costa Machado, explicou que no local não são realizados atendimentos pelo SUS. Conforme ela, um ecocardiograma particular custa R$ 160,00, mas para pacientes encaminhados através do SUS são cobrados R$ 50,00.
A diretora executiva do Cismepar, Marlene Zucoli, afirma que o problema para realização do ecocardiograma deverá ser resolvido com a abertura de uma licitação que prevê o repasse de valores superiores aos pagos pelo SUS, atualmente R$ 29,00 por exame. Ela esclarece que isso será possível através de um convênio firmado com a Secretaria de Estado da Saúde, que prevê o repasse de R$ 40 mil, por mês, ao Consórcio. A previsão é oferecer pelo menos 100 exames ao mês. ''Não atende toda a demanda, mas ameniza o problema'', afirma. A licitação já resolveu o problema do exame de colonoscopia, destinado à análise do intestino.
A diretora de Planejamento da Secretaria Municipal de Saúde, Rosângela Libanori, confirmou que o problema da defasagem da tabela atinge outros exames, como endoscopia (estômago) e de diagnóstico do câncer de mama. No caso da cirurgia de ouvido, que tem mais de 300 pessoas na fila, a espera pode chegar a três anos. ''São apenas três cirurgias por semana'', observa. Libanori acrescenta que a contratação de profissionais para o Hospital Universitário (HU), o maior prestador de serviços da região, também reduziria o problema.

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