A pequena Heloísa, de 10 meses, é a prioridade absoluta na vida da mãe Aline Zamboni Milanez. Jornalista, ela deixou o trabalho em assessoria de imprensa para se dedicar integralmente à menina e, com apoio do marido, só pretende voltar ao mercado do trabalho após o nascimento do segundo filho, que ainda está sendo planejado.
A família é uma exceção no universo das mães e pais trabalhadores brasileiros, que nem sempre podem abrir mão de uma das rendas para se dedicar integralmente aos cuidados das crianças nos primeiros anos de vida. O nascimento da pequena Heloísa foi planejado e a mãe, que fazia questão de parto natural, mudou de obstetra durante a gestação por não sentir confiança no primeiro profissional que a atendeu, com relação a manter os planos de parto.
Assim que nasceu, a bebê não mamou naturalmente, o que obrigou a mãe a retirar o leite com bomba e aleitar por sonda. Com acompanhamento de uma fonoaudióloga especializada, ela conseguiu manter a amamentação exclusiva por seis meses.
A filha tem alergia à proteína do leite, o que obrigou a mãe a fazer uma severa dieta para não passar o componente para ela. Após introduzir os primeiros alimentos, Aline passou a usar apenas ingredientes frescos e orgânicos para as papinhas.
Sob supervisão constante, Heloísa fica livre para engatinhar por toda a casa e, assim, se desenvolver a contento. O plano dos pais é que ela comece a frequentar a escola com dois anos, principalmente para conviver com outras crianças.
Ciente de que são as boas condições financeiras da família que vão permitir a Heloísa o melhor ambiente nos primeiros mil dias de vida, Aline lamenta que outras famílias não possam fazer o mesmo. "Vários problemas sociais poderiam ser resolvidos se as crianças pudessem ficar com a mãe nos primeiros anos de vida. É preciso um olhar mais atento dos governos sobre isso, pois infelizmente as gestantes são encaradas como 'problema' em muitas empresas. Agradeço ao meu marido que pode me dar a alegria de ficar com a minha filha." (C.A.)

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