Ao ter conhecimento da história de Edilaine Pereira Senne, 40 anos, foi impossível não pensar que seria um bom exemplo a ser contado neste Dia das Mães. Ela, que é cadeirante desde o primeiro ano de vida por consequência de uma poliomelite, nunca deixou de fazer as tarefas diárias, o que inclui, criar o filho Pedro,
de 10 anos.
  ‘‘Não planejamos a gravidez. Eu estava passando por um momento muito difícil da vida e por isso, achava que os sintomas eram emocionais. Mas não, era um presente de Deus’’, lembra.
  No início, Edilaine conta que sentiu e sofreu com as dores do preconceito, ao lado do marido Élder, também cadeirante por conta de uma poliomelite, desde bebê. ‘‘Mas eu nunca tive dúvida da minha capacidade de mãe, até porque minha força não depende de minhas pernas’’, diz ela, que fez questão de não dividir os afazeres. ‘‘Eu costumava usar muletas, mas com a chegada do Pedro, comprei uma cadeira motorizada para ter mais segurança ao carregá-lo, dar banho e amamentar’’, conta.
  Casados há 17 anos e ambos aposentados, Edilaine e Élder tiveram que adaptar a casa e o meio de locomoção da família. Os cômodos perderam alguns móveis, as portas e passagens ganharam mais espaço para as cadeiras motorizadas e na garagem, uma moto no modelo triciclo para percorrer distâncias maiores.
  Mas a rotina dos três não é diferente no que diz respeito às tarefas diárias. Logo cedo, Edilaine acorda para fazer o café e como toda mãe zelosa, deixa tudo pronto para quando Pedro despertar. ‘‘Como ele já está grandinho, ele mesmo se troca, toma o café e vamos começar nossa aventura do dia’’, brinca a mãe, se referindo ao caminho percorrido pelos dois até a escola, que fica a mais de um quilômetro.
  Na cadeira motorizada, Pedro senta no colo da mãe e os dois seguem pela rua Tietê, na Vila Nova (centro). O percurso até a escola leva cerca de 15 minutos, quando não há imprevistos. ‘‘O trajeto é complicado porque existem pessoas sensatas e outras não. As condições das calçadas nos obriga a seguir pela rua e o problema maior são os motoristas que, às vezes, chegam a nos desrespeitar’’, conta.
  Em relação ao Pedro, Edilaine conta que nunca houve problema quanto a questionamentos e preconceito e diz que isso se deve ao fato dela e do marido serem bem esclarecidos quanto às suas limitações. ‘‘Mantemos um diálogo aberto em casa e acho que isso é um reflexo da nossa própria aceitação. Para ele, andar na cadeira com a gente é até uma aventura. Ele adora’’, diz.
  Muito atenciosa, Edilaine conversa quase que diariamente com a professora de Pedro, faz as tarefas com ele e participa de todas os eventos da escola.
‘‘Ele não é meu trófeu.
Eu o respeito muito porque
ser mãe é a minha grande realização como mulher’’, ressalta.

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