Kraw PenasAngelina: compras em CuritibaÉ difícil encontrar alguém no pequeno município de Bocaiúva do Sul que apóie - ou ao menos aceite - a decisão do prefeito Elcio Berti de proibir a venda de preservativos e anticoncepcionais na cidade. No primeiro dia de vigência do polêmico decreto, as duas farmácias de Bocaiúva e os pequenos mercados comercializavam normalmente os produtos, sem temer a ameaça de multa.
‘‘Se eu disser que não vou vender é bem capaz das pessoas largarem os futuros nenês aqui para eu criar’’, divertia-se o proprietário da farmácia Alberti, Floresmundo Alberti Júnior. Ele diz que vende diariamente cerca de dez pacotes de camisinhas e outras dez caixas de anticoncepcionais, a maioria para pessoas que estão de passagem pela cidade.
Os moradores de Bocaiúva do Sul já transformaram o assunto em piada. ‘‘Não sei o que aquele louco pretende conseguir com uma idéia absurda dessas’’, diz o agricultor Dormandio da Lima Costa, de 58 anos.
A intenção do prefeito de fazer a população saltar dos atuais 8.570 para 12 mil habitantes em quatro anos deverá, no máximo, ajudar o comércio das cidades vizinhas. ‘‘Sempre que precisar vou pedir para o meu marido ir até Curitiba e comprar as coisas que precisamos’’, diz a empregada doméstica Angelina Gomes. Com dois filhos, com 6 e 9 anos de idade, ela e o marido ganham juntos cerca de R$ 200,00 por mês, o que impede qualquer aumento da família.
Kraw PenasFloresmundo: ‘‘Nenês para criar’’
O estudante Valdriano Schremin Gomes, de 17 anos, teme que a cidade passe a ter ‘‘má fama’’ depois do decreto. ‘‘Bocaiúva já é conhecida como uma cidade onde há tiros para todos os lados, e daqui a algum tempo será também a cidade das doenças venéreas’’, diz. (C.P.)

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