"Decreto será a pá de cal das empresas de Londrina", diz presidente da Acil


Vitor Ogawa - Grupo Folha
Vitor Ogawa - Grupo Folha

A Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) recebeu com surpresa o anúncio do governo do Estado na tarde desta terça-feira (30), que suspende o funcionamento dos serviços considerados não essenciais por 14 dias. O presidente da entidade, Fernando Moraes, ressaltou que será difícil os empresários aceitarem esse decreto de quarentena regional. “A reação será complicada. Será uma pá de cal no comércio de Londrina. Isso vai determinar o fechamento de vários estabelecimentos. Até agora o Estado não concedeu isenção de impostos para os empresários. Não isentou o ICMS. A gente vem escutando as declarações do prefeito todo domingo, que o Estado não se pronunciou em nada sobre isso", afirmou Moraes. 


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. | Ricardo Chicarelli/26-3-2019
 


O presidente da Acil ressaltou que em Londrina a ocupação de leitos não está tão grave, e que esse é um dos índices que tecnicamente determinaria que a cidade não fecharia o comércio. “O prefeito falou que nesse quesito a cidade está bem. Não temos falta de EPIS e também não temos falta de profissionais. Pelo que o governador falou a cidade está com um índice alto de de transmissão da doença e por isso pediu para fechar”, destacou. 





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Segundo ele, as empresas de Londrina mal estavam voltando a respirar depois do último fechamento do comércio por decreto em função da pandemia. “O Estado teve mais de 100 dias para aparelhar a questão da saúde e agora toma uma decisão dessas?”, questionou Moraes. 


“O governador deixou claro que os prefeitos devem acompanhar a determinação do decreto dele. A prefeitura tem poder para modificar alguma coisa. Temos que aguardar a decisão do prefeito antes da Acil se pronunciar sobre alguma coisa”, ressaltou. 


Já o vice-presidente do Sindecolon (Sindicato dos Empregados do Comércio de Londrina), Manoel Teodoro da Silva, lembrou que ainda nesta segunda-feira (29) o sindicato endossou um manifesto que pedia medidas para reduzir a lotação dos ônibus e evitar aglomerações. Havia uma última esperança de se evitar uma nova determinação para a suspensão das atividades do comércio. Já sobre o fechamento de postos de trabalho, o sindicalista lembrou que o aumento do desemprego já era uma realidade imposta desde o início da pandemia e agora se torna um problema ainda mais sério.


“A gente sabe que tem segmento que tem algumas dificuldades, outros têm outras maiores, mas se alguém vai perder é o trabalhador. Já estamos vendo uma série de irregularidades. Acredito que já vai ter adesão sim (dos comerciantes), a coisa é feia, o vírus não escolhe sexo, é difícil demais”, lamentou.     


Confira a nota da entidade:

Desde o início da pandemia da Covid-19, Londrina batalhou e se organizou através de um esforço conjunto do Poder Público e diversas entidades da cidade para garantir estrutura adequada ao setor de Saúde, em especial no que diz respeito aos leitos de Unidades de Terapia Intensiva. 


A entidade também se preocupa com o fato do anúncio desta tarde já determinar o novo fechamento das atividades econômicas a partir de amanhã (quarta-feira), sem dar a chance dos estabelecimentos se organizarem de forma adequada para tentar resistir novamente a duas semanas de fechamento. 


A ACIL ainda questiona quais são os recursos financeiros disponibilizados pelo governo do Estado a fim de ajudar as empresas a sobreviverem em um cenário de crise.


Por fim, a entidade solicita o esclarecimento dos critérios adotados para incluir Londrina no Decreto 4942; sobre o índice tripartite, uma vez que a taxa de testagem de Londrina é melhor que outras cidades que permaneceram abertas; além da revisão dos critérios de incidência, uma vez que outras cidades que permaneceram abertas têm mais casos que Londrina.






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