O juiz-corregedor do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), Maurício Lemos Porto Alves, decretou ontem, em São Paulo, a prisão preventiva do vereador Vicente Viscome (sem partido) e mais quatro ex-funcionários da Administração Regional da Penha, na zona leste da capital paulista, acusados de participação no esquema de cobrança de propinas naquela regional. Além de Viscome, deverão cumprir a preventiva Ivan Márcio Gitahy, Fernando Garcia Lepper, Fernando Martins Capitão e Osvaldo Morgado. A preventiva por 30 dias pode ser prorrogada pelo mesmo período.
Segundo o delegado Saad, o pedido de prisão preventiva justifica-se no fato dos cinco terem fugido da prisão temporária decretada no decorrer do inquérito que investiga o esquema da Penha, concluído anteontem. A fuga, de acordo com o delegado, os teria deixado livres para manipular as testemunhas do caso e ocultar provas. Além disso, os depoimentos dados pelos acusados à policia teriam sido evasivos, dificultando as investigações.
Viscome já havia cumprido oito dias de prisão temporária. Em seu interrogatório, que aconteceu durante três dias, admitiu apenas que havia indicado assessores de confiança para trabalhar na regional e que interferiu em algumas questões administrativas da regional.
Em seu depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais, na Câmara Municipal, o vereador Vicente Viscome negou todas as acusações contra ele. Após quase quatro horas, o depoimento terminou pouco antes das 19 horas. Viscome deixou o plenário pedindo que os presentes rezassem por ele. ‘‘Eu não mereço isso’’, disse. E reafirmou que pretende renunciar ao cargo.
‘‘Minha participação na regional da Penha era política, não sei se os outros mentiram, o que eu sei é que não tive conhecimento de nada’’. Ele negou, repetidas vezes, saber do esquema de arrecadação de propinas, embora já existam provas de seu envolvimento. O presidente da CPI, o vereador José Eduardo Martins Cardoso (PT), afirmou, entretanto, que sua negação não é suficiente para que deixe de ser solicitada a cassação do vereador. Cardozo disse ter ficado decepcionado com o depoimento que, para ele, acrescentou poucas informações à comissão.
Ontem, a polícia prendeu dois funcionários da Administração Regional de Itaquera. A supervisora de Uso e Ocupação do Solo Dinorá Braga e o agente de apreensão Albano Pires são suspeitos de terem extorquido um comerciante da região. Segundo o comerciante, cujo nome está sendo mantido em sigilo, a propina teria sido cobrada na época em que ele estava construindo um prédio.
Além dos dois presos, a polícia já havia indiciado os fiscais Luiz Gonzaga da Costa, Jairo Seiki Kanashiro e Maria Cristina Scomparini. Em depoimento prestado à polícia, os três negaram a participação no suposto esquema.Robson Fernandjes/AE(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Sob suspeitaO vereador Vicente Viscome durante o depoimento de ontem na CPIMarcus Lopes
Agência Estado

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