Decretada prisão preventiva de co-autora da morte de juiz
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segunda-feira, 15 de novembro de 1999
Por Nelson Francisco 
Cuiabá, 15 - O juiz da 2ª Vara da Justiça Federal, Jeferson Schneider, decretou hoje a prisão preventiva da escrevente Beatriz árias, que cumpria prisão temporária desde o último dia 17 de setembro. Caso o pedido não fosse feito ela poderia ser solta amanhã (16), uma vez que venceu o prazo de sua detenção como co-autora do assassinato do juiz Leopoldino Marques do Amaral, morto no início de setembro deste ano. A Polícia Federal do Mato Grosso voltou a confirmar que o taxista Marcos Peralta, tio de Beatriz árias, funcionária do Fórum de Cuiabá (MT), foi o assassino do juiz.
O delegado José Pinto Luna, que preside o inquérito, não acredita mais que o crime do juiz tenha ligação com as denúncias de Amaral sobre as ligações dos desembargadores do Tribunal de Justiça do Mato Grosso com traficantes do estado. Beatriz revelou ao delegado que o juiz tinha intenção de fugir do Brasil com o dinheiro que ele teria arrecadado ilegalmente dos depósitos judiciais (cerca de R$ 1,5 milhão) desviados da 1ª Vara da Família, da qual era titular antes de desaparecer no fim de julho deste ano.
Pinto Luna disse que o crime foi confessado por Beatriz, que estava com o tio no momento do assassinato. Por isso, ela, que está presa incomunicável em Cuiabá há mais de um mês, será indiciada como co-autora do crime. De acordo com a confissão de Beatriz, Marcos Peralta deu os dois tiros em Leopoldino por motivos fúteis, mas ela não explicou as razões dos disparos. A Polícia Federal e a Interpol estão à procura de Peralta, que deve estar no Paraguai. Depois de sua prisão é que a PF poderá saber se ele agiu por conta própria ou se havia algum mandante.
Nos depoimentos à PF, Beatriz árias, funcionária do Fórum Cível de Cuiabá, revelou detalhes do trajeto que levou ao assassinato do juiz. Ela disse que Amaral vivia momentos de grande pressão em virtude das denúncias apresentadas contra desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Beatriz contou que ela, o tio e o juiz deixaram Cuiabá na sexta-feira 3 de setembro, seguiram para a cidade de Pedro Juan Caballero na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, onde chegaram, por volta das 17 horas de sábado, dia 4. Lá, o juiz se hospedou num hotel, enquanto ela, com o carro do juiz, ao lado do tio, foram para a cidade de Vallemy, a 500 quilômetros, de Pedro Juan Caballero. No domingo, dia 5, pela manhã, segundo o relato, ela se encontrou com Félix Villalba, tio de seu marido Paulo Paniágua, de quem emprestou a arma utilizada no assassinato. Na mesma data
Beatriz e o tio retornaram para Pedro Juan. Eles chegaram na cidade já na segunda-feira, 6, por volta das 18 horas. A viagem foi longa em função das condições da estrada.
Os três se encontraram com Amaral e, no final da tarde, deixaram o hotel rumo a Concepción. No caminho, o juiz foi executado, segundo a escrevente, pelas mãos do tio, Marcos Peralta. O assassinato aconteceu por volta da 1 hora da madrugada do dia 7 de setembro. Em seguida, os dois atearam fogo no corpo do juiz.
O corpo de Leopoldino, semicarbonizado, foi encontrado cinco horas depois pelo estudante paraguaio César Dario Savala. Ele também encontrou os documentos do juiz e avisou à polícia. A notícia chegou à Polícia Federal em Cuiabá por volta do meio dia.


