Belo Horizonte - A Polícia Federal cercou no final da tarde de ontem a Indústria Cataguazes de Papel, na cidade mineira de Cataguases, na tentativa de prender os dois sócios da empresa, Félix Luís Santana Arencibia e João Gregório do Bem, acusados de praticar crime contra o ambiente. A ordem de prisão foi expedida ontem pelo juiz federal Marcelo Luzio, de Campos (RJ), cidade está sem água por causa da grande mancha tóxica, denominada lignina ou licor preto, que contaminou as águas do rio Paraíba do Sul naquela região do Estado fluminense.
Agentes da PF se deslocaram de Campos para efetuar as prisões, que não haviam sido realizadas até o início da noite de ontem. ''Os dois são foragidos da Justiça brasileira'', disse à Agência Folha o delegado Carlos Pereira, que chefiava os agentes da PF. A casa de Gregório do Bem, segundo o delegado, também está sendo vigiada. O delegado, porém, disse que desde domingo ele não foi mais visto em Cataguases. Agentes da PF também percorreram os hotéis da cidade na tentativa de encontrar o outro sócio da Cataguazes Papel, que, segundo Pereira, não tem residência fixa na cidade. Ele seria de Campinas (SP).
Marcelo Lessa Bastos, promotor de Justiça de Campos, que acompanhava os agentes federais, disse que a ordem de prisão para os diretores da indústria foi expedida por ''eles (os sócios) terem permitido o despejo de substância tóxica no ambiente''. ''Eles mataram o rio Paraíba do Sul e o rio Pomba. É um crime muito grave. Populações de cidades inteiras estão sem água tratada, pecuaristas não têm como dar água para o gado'', disse Bastos.
O acidente ambiental ocorreu no sábado. Um reservatório com milhões de litros de resíduos tóxicos se rompeu e contaminou vários riachos e rios em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. A mistura continha soda cáustica e um composto orgânico, denominado de lignina ou licor preto.
Esse material estava armazenado havia pelo menos 14 anos. Eram resíduos da transformação da madeira em celulose, quando a empresa era de outro grupo econômico. Os atuais donos assumiram esse passivo ambiental e, atualmente, não fabricam mais celulose. Fazem apenas reciclagem de papel.

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