Decretada prisão de ex-regional e dois fiscais da Penha
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de fevereiro de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 01 (AE) - Dois fiscais e um engenheiro da Administração Regional da Penha, na zona leste de São Paulo, tiveram a prisão preventiva decretada hoje por suposto envolvimento em esquemas de cobrança de propinas. O engenheiro e ex-administrador regional da Penha, Osvaldo Morgado, e os funcionários Fernando Garcia Leper e Fernando Martins Capitão são suspeitos de participarem do grupo que extorquia comerciantes, na região. Os três não foram localizados pela polícia. Segundo o delegado Naief Saad Neto, da 7.ª Delegacia Seccional (Itaquera), a casa de Capitão estava fechada. Na dos outros dois, os familiares informaram que eles não apareciam em casa desde a semana passada.
O pedido de prisão foi baseado no depoimento de comerciantes e do fiscal Clóvis Feitosa de Araújo, preso desde o dia 25. No depoimento prestado à polícia, Feitosa afirma que sua função era descobrir casos de irregularidades administrativas ou obras clandestinas. Depois, a pessoa autuada era encaminhada para Morgado, que atualmente ocupava o cargo de supervisor na regional.
O ex-administrador explicava as eventuais punições e multas pelas irregularidades, e a encaminhava novamente para Feitosa, que fazia o "acerto". "No acerto, explicava que minha parte seria menor e o restante iria para o supervisor, que talvez iria dividir com sua assessoria e, mais acima, com o vereador Viscome", registrou o fiscal, em seu depoimento. O vereador citado é Vicente Viscome (PPB), que não foi localizado nos últimos dias.
Com Feitosa, foi apreendido seu BMW, que estava em nome de Morgado. O fiscal preso teria pago R$ 25 mil pelo carro ao ex- administrador. Para isso, teria dado de entrada um Mazda que possuia.
Foragido - Hoje, o assessor técnico Ivan Marcio Gitahy, o Coronel, se apresentou no Comando Militar do Sudeste. Coronel, que trabalhava na regional da Penha, estava foragido desde o dia 25, quando foi decretada sua prisão preventiva por suspeita de participação no grupo que cobrava propinas, na regional.
O delegado Naief não soube informar se o fiscal, que foi coronel da Infantaria do 1.º Exército, foi preso pelos militares. No fim da semana passada, foi revelado que o Exército iria ajudar na captura de Gitahy, que deve se apresentar amanhã à polícia.
O Comando Militar do Sudeste também não confirmou se o ex- militar ficou detido no quartel. O fiscal Nelson Gomes, que também está com prisão decretada, continua foragido. Afastamento - Hoje, o secretário das Administrações Regionais (SAR), Domingos Dissei, afastou mais quatro funcionários de suas funções. O agente vistor José Vanderley de Souza e o agente de apreensão Noel Pereira Reis, que trabalhavam na Administração Regional Jaçanã- Tremembé, são suspeitos de receberem dinheiro de associações para não multar ou embargar loteamentos clandestinos na região norte da cidade.
O delegado Naief informou que já foi aberto inquérito policial referente ao caso e as investigções começarão ainda esta semana. No centro, o agente de apreensão Carlos Aparecido da Silva está sendo acusado de participar do esquema de propinas envolvendo funcionários da Administração Regional da Sé. Sua companheira, Aparecida Martins de Santiago, foi presa em flagrante cobrando propinas de camelôs na região central, na sexta-feira passada.
No depoimento prestado ao delegado Romeu Tuma Jr., titular da Delegacia Seccional Sul, Silva citou mais de 20 pessoas e revelou quais equipes que faziam a extorsão, em cada área da regional. As investigações começaram hoje. O último a ser afastado é o engenheiro Mário Bertolucci Neto, acusado de participar do esquema de propinas na Administração Regional de Pinheiros.
Suspeitas - Segundo os promotores do Ministério Público Estadual (MPE), que investigam o caso, Bertolucci, que já foi administrador regional de Pinheiros, pertencia a um escalão mais alto no esquema de propinas do que a engenheira Maria Thereza Ferrari de Castro. Até então, Maria, que também trabalhava na regional, era suspeita de ser a número 2 do grupo. Os promotores trabalham com a hipótese de todo o esquema esquema ser liderado por um vereador.
Atualmente, o engenheiro ocupava o cargo de supervisor de Uso e Ocupação do Solo, na SAR. Suas férias foram suspensas e ele deveria ter se apresentado hoje, na secretaria. Até o fim da tarde, porém, o engenheiro não tinha aparecido. Processo - O nome dos afastados será publicado no Diário Oficial. Como são funcionários de carreira na Prefeitura, todos responderão a um processo administrativo paralelo às investigações que estão sendo realizadas pela Justiça. Caso sejam considerados culpados, todos podem ser demitidos a bem do serviço público. Na Justiça, todos devem ser processados por concussão (extorsão) e podem ser condenados de dois a oito anos de prisão.


