Decretada prisão de delegados
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sábado, 03 de julho de 2004
Agência Folha 
Ribeirão Preto O juiz da 4 Vara Federal de Ribeirão Preto, Augusto Martinez Perez, decretou, por volta das 23 horas de anteontem, a prisão preventiva dos seis detidos pela Polícia Federal durante a Operação Lince, realizada na quarta-feira da semana passada. O pedido da preventiva foi feito pelo Ministério Público Federal à tarde, quando venceu o prazo da prisão temporária.
Os detidos são os delegados da PF José Bocamino e Wilson Alfredo Perpétuo, o agente Luiz Claudio Santana, o advogado Fauzi José Saab Júnior e os supostos assaltantes de carga Roberto Lopes Alvares e Jair de Morais. O juiz substituto da 2 Vara Federal de Porto Velho (RO) João Carlos Cabrelon de Oliveira também decretou a prisão preventiva de Bocamino e Santana.
Os seis foram presos numa megaoperação da PF que reuniu 130 homens desencadeada para desmantelar uma quadrilha acusada de roubo de cargas e adulteração de combustíveis.
A principal suspeita contra os delegados, no entanto, não diz respeito a roubo de carga ou adulteração de combustível. Acredita-se que eles manipulavam inquéritos policiais em troca de favores financeiros.
Em Rondônia, eles foram alvo de investigação no ano passado. Em telefonemas gravados pela PF, eles apareceriam negociando com Jorge Bezerra da Silva, ex-delegado da PF preso pela Operação Anaconda, uma maneira de profissionalizar o contrabando de diamantes da reserva dos cintas-largas. Em coletiva à imprensa no dia 19 de novembro, os delegados negaram a acusação de envolvimento com a extração ilegal de pedras preciosas.
Durante a Operação Lince, foram encontradas porções de cocaína, maconha e haxixe na delegacia da PF em Ribeirão Preto. Se não forem apresentados termos de apreensão da droga, os delegados poderão ser indiciados por tráfico de drogas.
O advogado de Saab Júnior, que preferiu se manter no anonimato, disse que entrará com um pedido de habeas-corpus no Tribunal Regional Federal. O advogado de Perpétuo, Paulo Roberto Franchi, disse que não há prova material contra seu cliente. O advogado Heráclito Mossin, que defendia Bocamino e Santana, disse que deixou o caso e não soube informar quem são os novos defensores dos suspeitos.


