Decretada intervenção judicial na Santa Casa de Cambé
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sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Danilo Marconi <br> Reportagem Local 
Londrina - O juiz da 2 Vara Cível, Ricardo Luiz Gorla, decretou a intervenção judicial na Santa Casa de Cambé (Região Metropolitana de Londrina). A decisão, datada da última segunda-feira, foi cumprida anteontem com o afastamento de 12 funcionários, entre eles a diretora-administrativa Izabel Aparecida da Silva.
''Se porventura houver um médico nos conselhos, ele continua (exercendo) o aspecto clínico e se afasta das funções administrativas'', explicou o juiz Ricardo Gorla.
''Estou falando um pouco magoada, não quero perder a racionalidade, mas é estranho tudo isso. Achei de uma truculência muito grande. Pessoalmente, acho que tem conotação política'', argumentou a diretora afastada Izabel Aparecida Silva. Ela ficou 28 anos na função.
A liminar atende pedido da Promotoria de Saúde Pública de Cambé, que investigava havia dois anos as partes contábil e administrativa do hospital. O procedimento apontou problemas como interrupções de atendimento no pronto-socorro, nepotismo e irregularidades no pagamento de plantões (um médico teria recebido por 36 horas em um único dia trabalhado).
A ação corre sob segredo de Justiça. ''O objetivo é sanear as irregularidades porque a Santa Casa atende finalidades estatutárias. Apesar de ser uma instituição privada, recebe recursos públicos e é preciso saber como esse recurso vem sendo utilizado'', justificou a promotora Adriana Lino.
Funcionários ouvidos pela FOLHA confirmaram que problemas administrativos inviabilizavam atividades corriqueiras do hospital. ''Era necessária (a intervenção), faltavam materiais básicos para a gente trabalhar no pronto-socorro'', confirmou um profissional, cuja identidade foi preservada.
A intervenção judicial não provocou mudanças nos quadros clínico e funcional. O hospital continuará atendendo normalmente. ''Não haverá interrupção do serviço. Se porventura for necessário afastamento de algum profissional será feita sua substituição imediata'', confirmou a promotora.
O juízo indicou como interventora a psicóloga Maria das Mercês de Matos Peixoto da Silva. A Justiça não deu prazo para a realização dos trabalhos, apenas solicitou relatórios mensais com as análises contábeis e administrativa da Santa Casa.


