Rio, 28 (AE) - O juiz da 2ª Vara de Falências e Concordatas, Luiz Felipe Salomão, decretou a falência das Casas da Banha, rede de supermercados que chegou a ser a maior do País nos anos 80. O advogado da empresa, Alfredo Bumachar, informou que a decisão foi tomada após ele entrar com uma confissão de dívida na vara. O juiz deu prazo de 20 dias para jusitificativa de créditos por parte dos credores, determinou prioridade para pagamento do passivo trabalhista estimado em US$ 5 milhões, e ordenou o lacre das instalações da empresa. A crise da empresa começou em 1986, informou Bumachar, com os planos econômicos heterodoxos do governo federal, como os Cruzado I e II e "o absurdo congelamento de preços" decretado nestes planos. Segundo o advogado, foi necessário, a partir de 1991, um saneamento econômico e financeiro da empresa, com o controle e a contenção das empresas e o fechamento de alguns de seus supermercados. O advogado explicou que, na decretação do Plano Cruzado I, várias mercadorias vendidas pelas Casas da Banha estavam com preços promocionais - e, com o congelamento, estes preços tiveram de continuar a ser cobrados por um ano.
Depois disso, lembrou Bumachar, houve o confisco do Plano Collor, e o perfil financeiro da empresa agravou-se, contou o advogado. Em 1991, a folha de pagamento da rede era de US$ 2 milhões, para remuneração de cerca de 9 mil empregados. Em 1992, a Casas da Banha dispensou 3,5 mil empregados, por uma decisão judicial, e começou, gradativamente, a fechar suas portas. No ano seguinte, a rede foi alvo de 9 mil processos trabalhistas. Este número foi reduzido a 800, com o pagamento gradual de indenizações pedidas em 2,8 mil processos.

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