São Paulo, 07 (AE) - O juiz-corregedor Maurício Lemos Porto Alves, diretor do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), decretou hoje a prisão preventiva do vereador Vicente Viscome (sem partido) e de mais quatro ex-funcionários da Administração Regional da Penha acusados de participação no esquema de cobrança de propinas. Além de Viscome, deverão ficar presos Ivan Márcio Gitahy, Fernando Garcia Lepper, Fernando Martins Capitão e Osvaldo Morgado. A prisão épor tempo indeterminado.
Ao mesmo tempo, o juiz-corregedor quebrou o sigilo bancário de Viscome, Lepper, Gitahy e Capitão. Além das contas bancárias, o Banco Central (BC) também deverá informar todas as aplicações bancárias de cada um dos acusados. Os vereador e os quatro ex-funcionários ficarão detidos no 29.º Distrito Policial. Com a decretação da prisão preventiva, passa a contar um prazo de 81 dias para que a Justiça conclua a instrução do processo contra os acusados.
Porto Alves decidiu que os cinco não poderiam responder em liberdade às acusações de concussão, extorsão e formação de bando ou quadrilha. O juiz afirmou no decreto de prisão que existem indícios veementes de autoria dos delitos e de que os crimes ocorreram. "Tem-se que a exploração de subempregados, tornou-se fonte de renda de todos os aqui indiciados", disse o juiz. Fuga - Ele afirma ainda que todos devem permanecer presos "pelo fato de os mesmos terem demonstrado ser capazes de interferir na produção de provas, influindo em depoimentos". Porto Alves conclui afirmando que a prisão dos acusados é necessária para garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal.
Segundo o delegado Naief Saad Neto, o pedido de prisão preventiva justifica-se no fato de os cinco terem fugido da prisão temporária decretada no decorrer do inquérito que investiga o esquema da Penha, concluído ontem. A fuga, de acordo com o delegado, os teria deixado livres para manipular as testemunhas e ocultar provas.
Além disso, os interrogatórios teriam sido respondido de forma evasiva, o que teria complicado as investigações. Viscome já havia cumprido oito dias de prisão temporária. No depoimento, que durou três dias, admitiu apenas haver indicado assessores de confiança para trabalhar na regional e interferido em algumas questões administrativas da regional. Itaquera - Hoje, a polícia prendeu dois funcionários da Administração Regional de Itaquera. A supervisora de Uso e Ocupação do Solo Dinorá Braga e o agente de apreensão Albano Pires são suspeitos de terem extorquido um comerciante da região. Segundo o comerciante, cujo nome está sendo mantido em sigilo, a propina teria sido cobrada na época em que ele estava construindo um prédio.
Além dos dois presos, a polícia já havia indiciado os fiscais Luiz Gonzaga da Costa, Jairo Seiki Kanashiro e Maria Cristina Scomparini. Em depoimento prestado à polícia, os três negaram a participação no suposto esquema. De acordo com o comerciante, em junho de 1997 ele foi até à regional de Itaquera onde Pires e Dinorá teriam pedido R$ 10 mil para regularizar a obra. O preço, porém, foi baixado para R$ 5 mil, que foram pagos em três cheques: um de R$ 2 mil e três de R$ 1 mil.
Em novembro, ele teria recebido a visita de Gonzaga e Kanashiro, que teriam pedido mais R$ 10 mil. Novamente ele foi à regional e Dinorá teria confirmado o valor. Desta vez, porém, a conversa foi gravada. A fita e as cópias dos cheques pagos aos funcionários estão em poder da polícia.

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