Decretada a prisão de acusados de falsificação
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terça-feira, 29 de setembro de 1998
Agência Folha 
Foram decretadas ontem as prisões preventivas de oito envolvidos no caso do Androcur (remédio para câncer de próstata) falso. O juiz Iasin Issa Ahmed, da 1ª Vara Criminal de Santo André (Grande São Paulo), determinou a prisão do vendedor autônomo de remédios Élcio Ferreira da Silva, José Celso Machado de Castro e José Bueno Alves, donos das distribuidoras Ação e Canaã, José Antônio de Oliveira, ex-dono de farmácia, Valdir Hipólito, dono de farmácia, e dos vendedores David Teixeira, Hélio Pela e Dahir Fernandes Filho.
Todos eles são acusados de formação de quadrilha e venda de remédio falsificado. O remédio do lote 351 do Androcur, que foi falsificado e distribuído em vários Estados, pode ter acelerado a morte de pelo menos dez pacientes.
A Justiça já havia decretado a prisão temporária de quatro dos envolvidos - Élcio, Castro, Oliveira e Alves já estavam presos no 1º DP de Santo André, mas todos eles alegam que não sabiam que o remédio era falso.
No caso de prisão temporária, a detenção dura 30 dias, podendo ser renovada. Já com a prisão preventiva, todos os acusados devem ficar presos por mais 81 dias, prazo para a conclusão final do processo. Nesse período, o juiz deve ouvir os envolvidos. Ao final do prazo, o juiz deverá dar uma sentença.
A preventiva é decretada quando a Justiça considera que os acusados devem ficar presos para que não haja prejuízo para o andamento do processo. Ontem, o delegado-titular do 1º DP, Guerdson Ferreira, responsável pela investigação, recebeu os pedidos de prisão preventiva de todos os envolvidos. Foram cumpridos os referentes aos presos que estão no 1º DP. A polícia só vai conseguir cumprir o mandado de prisão dos outros acusados após dia 7 devido à lei eleitoral, que proíbe prisão cinco dias antes da eleição e dois após.
A prisão preventiva foi decretada um dia após três acusados presos conseguirem a soltura. O ex-sócio da Veado DOuro Ricardo Garcia conseguiu anteontem uma liminar para habeas corpus (libertação). Ele é acusado de ter autorizado a fabricação de placebo, após encomenda de Élcio. Já os donos das distribuidoras Medsul e PAS, Chafic Rassul e Haroldo Abreu respectivamente, conseguiram a revogação do pedido de prisão temporária e foram soltos ontem de madrugada.


