Declarada morte cerebral de frei Damião
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terça-feira, 27 de maio de 1997
Agência Estado do Recife 
O frei capuchinho Damião de Bozzano, de 98 anos, teve morte cerebral por volta das 6 horas de ontem, depois de uma parada cárdiorrespiratória ocorrida às 5h30. Os médicos conseguiram reanimá-lo 25 minutos depois, com medicamentos vasoativos e massagens torácicas externas. Até às 17h30, somente o coração e o pulmão do missionário capuchinho continuavam funcionando, com ajuda de aparelhos e drogas, de acordo com informação dada pela direção do Hospital Português, onde o frade foi internado no último dia 6 com insuficiência respiratória.
A morte cerebral de frei Damião foi confirmada no final da manhã, quando o médico Blancard Torres, que o acompanha há sete anos, afirmou que ele havia entrado em coma profundo e irreversível e que a sua morte era uma questão de horas. O religioso recebeu a extrema-unção às 10 horas, do frei capuchinho Fernando Rossi, seu assistente há mais de 50 anos. Logo depois, ele foi visitado pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, e pelo governador de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB).
O arcebispo ficou ao lado do frade até às 15h30, rezando a oração dos agonizantes e cantando músicas religiosas. Eu também considero o frei Damião um santo, afirmou ele. Ele é o testemunho de um santo missionário que consagrou toda sua vida ao Evangelho e ao bem das pessoas.
Em frente ao prédio da emergência cardiológica do Hospital Português, onde se encontrava o frade, fiéis e devotos começaram a se aglomerar desde o final da manhã. Cerca de 30 homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar interditaram a entrada da emergência cardiológica.
Desenganado desde a manhã, a resistência de frei Damião impressionava a equipe médica de 30 pessoas que o assistiu desde o dia 13, quando ele sofreu um derrame cerebral, entrou em coma superficial e foi transferido para a UTI do hospital.
Desde então, o estado de saúde do frade foi se agravando. Frei Damião foi submetido a uma traqueostomia (abertura de um orifício na garganta para introdução de um tubo) para ajudar a respiração e a desobstrução dos brônquios; contraiu infecção pulmonar e brônquica; teve paradas respiratórias; paralisação intestinal e anemia profunda. Nos últimos seis anos frei Damião foi internado 18 vezes e chegou a receber o sacramento da extrema-unção cinco vezes, incluindo a de ontem.


