Declarações de Prodi derrubam euro Do correspondente Gilles Lapouge
Paris, 22 (AE) - Antes mesmo de assumir suas funções, o novo presidente da Comissão Européia de Bruxelas, o poder executivo da União Européia, Romano Prodi, conseguiu realizar uma proeza, fazendo a moeda comum européia, euro, cair em relação ao dólar. Há dois dias o euro valia 1,0388 dólar. Hoje desceu para 1,0305 dólar, aumentando de valor ligeiramente, no fim da manhã.
Nada mal para um começo! Tanto mais notável pelo fato de Romano Prodi ter sido designado para dirigir a Comissão de Bruxelas, em substituição ao lastimável Jacques Santer, por causa de sua diplomacia e da energia com que preparou seu país, a Itália, no ano passado, para a prova do euro. Toda a Europa apostou em Romano Prodi, que se impunha no momento em que a moeda comum européia dava os primeiros passos.
Pelo que agora se impõe a questão: como o hábil, cauteloso, digno sr. Prodi fez para, num piscar de olhos, desvalorizar esse euro, de cuja defesa foi incumbido? A resposta é simples: Prodi limitou-se a declarar em Milão que a inflação da Itália sendo igual a duas vezes a média da inflação da Europa (2% por ano na Itália contra 1% na região do euro) haveria porque temer que a Itália não abandonasse o euro.
O resultado dessas poucas palavras foi fulminante: a queda rápida do euro. Logo a seguir o hábil Prodi foi obrigado a mostrar-se ainda mais hábil, a fim de reparar os prejuízos. E como? Simplesmente explicando que fora mal entendido e que, na verdade, havia dito o contrário daquilo que tinha sido entendido. Teria dito que "a despeito do diferencial da inflação entre a Itália e o resto da Europa, não existiria qualquer risco da Itália ser obrigada a deixar o Euro a curto ou a médio prazo".
Meu Deus! Após a onda de calor tudo voltou à ordem certa. Tratava-se de uma simples questão de comunicação. Nada de grave. Prodi dissera exatamente o contrário do que havia dito. Foi apenas isso. Coisas que acontecem com todo mundo!
Para além da questão de Romano Prodi, que se mantém como homem competente e responsável, esse episódio da queda do euro graças a uma frase mal pronunciada ilustra a fragilidade do sistema arquitetado na Europa. O domínio do equilíbrio financeiro e monetário num único país já é trabalho digno de acrobatas dos melhores circos do mundo.
Quando, porém, esse equilíbrio concerne não apenas um país, antes quinze, como na União Européia, tendo cada qual desses países seu ritmo, necessidades, tradições, torpores, dependências, convenhamos que harmonizar tantos parâmetros divergentes equivale a uma façanha. A orquestra européia encontra-se à mercê de não importa qual de seus quinze músicos. Foi o que acabou de acontecer: a Itália, na pessoa tanto de sua inflação, quanto na do seu antigo presidente do Conselho e futuro chefe europeu, Romano Prodi, desafinou. E o euro desmaiou...
Não tardando a aplicação imediata da respiração artificial, que levou o pobre euro a recuperar consciência.





