Líderes reunidos em Johannesburgo assistem ao encerramento da Cúpula da Terra
Johannesburgo - Representantes de 191 países adotaram ontem na Cúpula da Terra a declaração de Johannesburgo, na qual reafirmam seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e a necessidade urgente de acabar com a pobreza e fomentar o multilateralismo.
Este é o segundo documento político da Cúpula da Terra, ou Rio+10, junto com o Plano de Ação de 65 páginas que tentará descobrir os meios para criar um modelo de desenvolvimento apoiado no progresso econômico, na justiça social e nos cuidados com o meio ambiente.
A declaração de Johannesburgo, um conjunto de boas intenções de três páginas, alerta sobre o abismo crescente que separa ricos e pobres e ameaça a prosperidade global, ao mesmo tempo que destaca a necessidade de uma democracia global e instituições multilaterais. Os líderes mundiais reconhecem que os problemas mais importantes que enfrentam são a pobreza, subdesenvolvimento, degradação ambiental e desigualdades entre países.
Um rascunho da declaração política, divulgado há três dias, serviu de base para a discussão dos representantes políticos. Em uma comparação entre os dois documentos, percebe-se que vários pontos desapareceram: o reconhecimento do papel dos povos indígenas no desenvolvimento sustentável, que ocupava um parágrafo inteiro, ficou reduzido a uma frase sobre a necessidade de promover o diálogo e a solidariedade com os povos, ''incluindo comunidades indígenas''.
Os Estados Unidos, que não ratificaram o protocolo de Kyoto, não queriam que na declaração final estivesse registrada uma menção explícita à necessidade de colocar em prática acordos internacionais sobre poluição ou mudanças climáticas. No entanto, tiveram que aceitar uma parágrafo sobre o multilateralismo:
''O multilateralismo é o futuro: para alcançar nossas metas em matéria de desenvolvimento sustentável precisamos de um sistema democrático global com instituições internacionais e multilaterais''
O texto reitera a determinação dos países em fornecer os serviços básicos de água, saneamento, energia, saúde, segurança alimentar e proteção da diversidade ''através de objetivos concretos, estabelecidos em calendário, e associações do setor público e privado''.
''Nos comprometemos a reforçar e melhorar nossa forma de governar em todos os níveis para pôr em prática a Agenda 21, os objetivos da declaração do milênio e o Plano de Ação de Johannesburgo'', conclui a declaração.

mockup