Decisão também deve preservar a fauna
Com a proibição do corte, as áreas de mata nativa continuam intactas e os animais não serão agredidos com a extração da madeira, comentou o integrante do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), José Álvaro Carneiro, que representou o Paraná na reunião realizada ontem em Joinville.
O conselheiro acrescentou que, além da araucária, devem ser protegidas no Paraná outras espécies como a imbuia (Ocoteca porosa). Entre as espécies na lista do Ibama estão ainda a canela-preta (Ocoteca catharinensis), canela-sassafraz (Ocoteca pretiosa) e o xaxim.
Na opinião de José Álvaro, a resolução do Conama é frágil quanto à fiscalização. Hoje, os órgãos estaduais e de defesa do meio ambiente e o Ibama não possuem estrutura para checar a ação dos extrativistas, afirmou.
O secretário de Meio Ambiente do Paraná, José Antonio Andreguetto, que também acompanhou as discussões, discorda. Ele afirmou que a fiscalização existe e acontece no Estado.
Segundo Andreguetto, a resolução do Conama não altera o trabalho do IAP no Estado, já que o Paraná está catalogando as áreas de floresta ameaçadas de extinção. Atualmente, o governo estadual já catalogou 67% do seu território, informou Andreguetto. Até o final do ano todo o mapeamento da Mata Atlântica estará concluído. O secretário disse que o Paraná pretende lançar um plano para conter o corte formiguinha, aquele feito por pequenos agricultores em áreas de preservação ambiental.
O Paraná, disse Andreguetto, pretende criar um fundo de financiamento para formação de silvicultores (plantador de árvores). O modelo será parecido com as granjas de porcos e galinhas onde os produtores plantariam reservas de árvores para as industrias madeireiras e pequenas serrarias. Dados da Secretaria indicam que o plantio em pequenas propriedades é viável economicamente a uma distância de até 100 quilômetros das madeireiras e serrarias.
A reunião extraordinária do Conama acontece durante a Semana da Mata Atlântica, uma promoção conjunta do Ministério do Meio Ambiente, Rede de Organizações Não-Governamentais da Mata Atlântica e governo local. O evento vai até dia 27 (Dia Nacional da Mata Atlântica).
Anteontem, uma caminhada pelas ruas de Joinville reuniu cerca de mil pessoas e lançou a Campanha Mata Atlântica - Desmatamento Zero, que tem o objetivo de reunir 1 milhão de assinaturas em favor da aprovação da lei que regula a proteção e o uso da Mata Atlântica. (I.R.)





