São Paulo, 01 (AE) - A Comissão Processante da Câmara Municipal, que analisa o pedido de cassação do mandato do vereador Vicente Viscome (sem partido), deve entregar o relatório final antes do recesso parlamentar do mês de julho. A tendência é de que o relatório mantenha o pedido de cassação, mas vereadores consultados pela reportagem disseram que estão dispostos a fazer um voto em separado se perceberem alguma tentativa de reduzir o grau das acusações contra o parlamentar.
Vereadores governistas, que pediram para não ser identificados, já disseram que as denúncias são fracas para cassar o mandato de um parlamentar. Apesar de o voto em plenário ser secreto e nenhum vereador poder declarar a sua posição, existe uma preocupação em relação à reação da opinião pública e os efeitos eleitorais que poderia acarretar aos parlamentares na disputa do ano 2000.
Um vereador do PPB disse que essa posssibilidade já foi discutida por alguns vereadores governistas. De acordo com o pepebista, essa possibilidade foi afastada justamente por causa da reação negativa que uma decisão dessa poderá acarretar à Câmara.
A sessão de hoje da Comissão Processante acabou sendo encerrada, apesar dos protestos de vereadores da oposição, porque um dos depoentes passou mal. O ex-fiscal da Administração Regional da Penha Wladimir Antônio Ferreira teve uma crise de depressão, começou a chorar, deixou o plenário para ser atendimento no ambulatório médico da Câmara.
Depois de responder a todas as perguntas dos advogados de defesa de Viscome, Ferreira entrou em crise assim que começou a ser questionado pelos vereadores. "Tenho 37 anos, a imprensa está toda aí e sou carente...", disse Ferreira, antes de começar a chorar.
Ao responder às perguntas dos advogados de defesa de Viscome
Ferreira negou que o vereador tivesse qualquer conhecimento do equema de cobrança de proprina e disse que nunca trabalhou para o parlamentar enquanto foi contratado pela Anhembi Turismo e Eventos da Cidade de São Paulo, contrariando os depoimentos prestados anteriormente à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais e à Polícia Civil.
O primeiro depoente, o ex-contínuo da Administração Regional da Penha Nelson Gomes, negou que Viscome tivesse conhecimento do esquema de cobrança de propinas na Regional, contestando depoimentos prestados na Polícia Civil e na CPI dos Fiscais. Embora a convocação de Gomes tenha sido decidida hoje na Comissão Processante, o depoimento afirmou ter recebido a convocação no sábado.
A vereadora Aldaiza Sposati (PT) quis saber como isso havia ocorrido e Gomes confundiu-se. Em entrevista à imprensa, Gomes disse que ficara sabendo no sábado, depois no domingo e, finalmente, que recebera a convocação ontem (31). O advogado de Viscome, Ademar Gomes, acabou fazendo perguntas ao depoente, justificando que ele ficara confuso devido à pressão sofrida durante o interrogatório. Aldaíza disse que, se for necessário, poderá convocar novamente Ferreira para depor na Comissão Processante.

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