São Paulo, 02 (AE) - A absolvição do vereador José Izar (PFL) fortaleceu o "bloco" governista na Câmara Municipal. Diante da inexistência de uma reação negativa, uma ala dos parlamentares da situação e da própria oposição avaliam que o teste foi bem sucedido e serviu para mostrar que podem derrubar os dois pedidos de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) pendentes de votação e reassumir o controle do Legislativo sem grande risco de ser cobrados pela opinião pública.
"A situação saiu fortalecida com a absolvição do José Izar porque era maioria, porém retraída e com medo; agora eles não têm mais medo e esse é o perigo", admitiu o líder do PSDB, vereador Dalton Silvano. "Acho que foi um teste para ver qual seria a reação da opinião pública e, como não ocorreu nada, parece que tiveram êxito", concordou a líder do PT, Aldaíza Sposati.
Desde o fim do ano passado, quando surgiram as primeiras denúncias de corrupção nas administrações regionais, os vereadores governistas entraram em crise e passaram a uma posição de defesa. Mesmo com maioria, tiveram de aprovar a CPI dos Fiscais e cassar dois parlamentares que integram a bancada. Os governistas esboçaram algumas tentativas de reação, mas não conseguiram colocá-las em prática. Alteraram o Regimento Interno para reassumir o controle da Câmara e isolar a oposição, mas não conseguiram aprovar praticamente nada.
No início deste semestre, foram surpreendidos com novas denúncias de irregularidades contra mais dois parlamentares que apóiam o governo na Câmara: Paulo Roberto Faria Lima (PMDB) e Maria Helena (PL). Eles foram acusados, respectivamente, de chefiar o equema de cobrança de propina na Regional de Pinheiros e de ficar com parte do salário de uma ex-funcionária. A oposição pediu nova CPI com base nessas denúncias para investigar órgãos municipais, vereadores, o prefeito Celso Pitta e o Plano de Atendimento à Saúde (PAS).
Os governistas reagiram e apresentaram outro requerimento, acusado de excluir Pitta e o PAS. Os dois requerimentos estão pendentes, mas devem ser derrubados nos próximos dias. Na Câmara, comenta-se que alguns governistas estão mantendo as CPIs na pauta de votação enquanto negociam novos espaços com o governo municipal. De acordo com alguns vereadores, Pitta deve fazer uma reforma administrativa depois de filiar-se a um partido e há possibilidade de as maiores bancadas indicarem secretários. Ninguém confirma esses boatos.
"Não terá CPI alguma, vamos estabelecer um cronograma de trabalho baseado na maioria parlamentar e no novo Regimento Interno", disse o líder da bancada do PPB, Paulo Frange. Frange disse que não participará mais de nenhuma reunião de liderança, porque os vereadores não cumprem acordos. Crise - A posição de Frange demonstra a existência de uma crise na bancada governista, que piorou a depois da absolvição de Izar. Uma ala do "bloco" governista defendia a cassação do vereador por considerar um sacrifício necessário para limpar a imagem da Câmara. Outra ala defendia o fim das cassações, para reassumir o controle da Câmara. Os próprios governistas e vereadores da oposição acusaram Paulo Roberto Faria Lima e Bruno Feder (PTB) de articular a "salvação" de José Izar.
Féder reagiu e disse que não aceita insinuações. Faria Lima ficou calado como sempre, mas segundo assessores políticos estava satisfeito e a sua movimentação foi uma resposta direta aos ataques que vem sofrendo da oposição. Uma parte dos governistas acredita que a oposição está rachada e isso favorecerá a derrubada da CPI. Em conversas oficiais, os vereadores da oposição negam, mas admitem em encontros reservados que há divergências. Os tucanos não gostaram do fato de o PT apresentar-se em emissoras de televisão como o único partido honesto e os petistas, por sua vez, reagiram à articulação para apresentar uma CPI somente para investigar o PAS. "Não negociaremos nada", afirmou hoje Aldaíza Sposati, líder do PT.

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